Copom projeta novo aumento da Selic e mantém cautela sobre economia
Comitê avalia necessidade de elevação da taxa de juros para 14,25% ao ano, considerando inflação, câmbio e mercado de crédito como fatores determinantes para a decisão
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 04/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada recentemente, os membros do colegiado destacaram a necessidade de um aumento na taxa Selic, prevendo uma elevação de 1 ponto percentual (pp) em março. Essa medida resultaria em uma nova taxa de juros de 14,25% ao ano, saindo dos atuais 13,25%. O Copom deixou em aberto as futuras decisões de política monetária a partir do encontro agendado para maio, refletindo uma abordagem cautelosa diante do cenário econômico.
A análise apresentada pelo Comitê justifica essa indicação com base em diversos determinantes que influenciam a economia. Entre os fatores considerados estão a taxa de câmbio e a inflação atual, que demandam uma postura monetária mais restritiva. “Os determinantes de curto prazo e as expectativas relacionadas à inflação exigem que continuemos com uma política monetária contracionista”, afirmou o documento divulgado.
O Copom também enfatizou que a intensidade do ciclo de aperto monetário dependerá do compromisso com a meta de inflação, além da evolução das dinâmicas inflacionárias e do hiato do produto. “As decisões futuras serão guiadas pela necessidade de convergir a inflação para a meta estabelecida, considerando os riscos envolvidos e as projeções inflacionárias”, acrescentou o colegiado.
Projeções para inflação e impacto no mercado financeiro
Na ata da reunião anterior, realizada no dia 29 de fevereiro, já havia sido anunciado um aumento da Selic em 1 pp, passando de 12,25% para 13,25%. Além disso, o Copom reafirmou suas previsões para a inflação, projetando que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve alcançar 4% acumulado em quatro trimestres até o terceiro trimestre de 2026. Essa expectativa está acima do centro da meta de 3%, com previsões específicas para diferentes segmentos de preços.
O Banco Central espera que o IPCA encerre o ano de 2025 em 5,2%, superando o teto da meta que é fixado em 4,5%. Essas estimativas consideram aumentos esperados nos preços livres e administrados ao longo deste ano.
A análise do Copom parte de um cenário que considera uma trajetória dos juros definida pelo relatório Focus e uma expectativa favorável sobre as tarifas de energia elétrica nos próximos anos. O impacto da taxa de câmbio e dos preços internacionais do petróleo também foi considerado na formulação das previsões econômicas.
Outro ponto abordado pelo Comitê refere-se à robustez do mercado de crédito brasileiro, impulsionado pela recuperação econômica e dinamismo no mercado de trabalho. Contudo, também se observou uma leve inflexão no crédito bancário nas linhas destinadas a pessoas físicas devido ao aperto nas condições financeiras.
Em contraste, o mercado de títulos privados mostrou um crescimento superior ao esperado e uma compressão nos spreads. O documento menciona um cenário complexo onde as famílias enfrentam alto comprometimento da renda com dívidas, mesmo diante do dinamismo nesse setor.
A interação entre políticas fiscal e monetária foi ressaltada como fundamental para garantir a eficácia das medidas econômicas. O Copom alertou sobre os riscos associados à falta de reformas estruturais e à disciplina fiscal, que podem impactar negativamente as expectativas do mercado e elevar a taxa neutra de juros da economia.
Por fim, o Comitê concluiu que é essencial manter canais desobstruídos para a ação da política monetária, sem elementos que possam mitigar sua eficácia. Essa abordagem permitirá uma condução mais eficiente das políticas econômicas em vigor.