Copom evita sinalizar próximos passos após corte da Selic
Comitê do Banco Central reduz taxa básica de juros para 13,75% ao ano, mas cenário fiscal e inflacionário impõem prudência no mercado.
- Publicado: 18/09/2026 12:55
- Alterado: 18/09/2026 12:55
- Autor: Thiago Antunes
O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros para 13,75% ao ano, mas evitou sinalizar os próximos passos da política econômica. O Banco Central do Brasil divulgou um comunicado sem assumir compromisso com novos cortes para a reunião de novembro. A decisão final dependerá da evolução dos dados macroeconômicos.
A incerteza sobre o futuro financeiro do país exige austeridade. O mercado de trabalho permanece aquecido e o processo de desaceleração econômica ocorre de forma gradual. A avaliação técnica afasta a possibilidade de flexibilização acelerada no curto prazo.
Copom avalia impactos da política fiscal e inflação
A política fiscal expansionista do governo limita o campo de atuação da autoridade monetária. A ausência de medidas estruturais para conter despesas obrigatórias gera um ambiente de insegurança para investidores e agentes produtivos. O panorama geopolítico global também pressiona a tomada de decisão.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) defende maior rigor nas contas públicas. “É necessário um maior compromisso do governo com o equilíbrio fiscal para que o objetivo de diminuir os juros seja alcançado sem risco de reversão”, avaliou a entidade em nota sobre a conjuntura nacional.
O Copom reconhece que a alta dos preços ainda não convergiu para o centro da meta de 3%. Os indicadores recentes mostram sinais de melhora, mas o resultado final permanece distante das expectativas técnicas e exige um monitoramento rigoroso.
Projeções futuras e riscos no setor de serviços
As expectativas financeiras apuradas pela pesquisa Focus apontam inflação de 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027. A convergência dos preços no longo prazo segue incerta para o Copom. A resiliência dos custos no setor de serviços acende um alerta sobre a estabilidade do poder de compra.
Fatores internos e externos ameaçam gerar pressões inesperadas. A manutenção do câmbio em patamar mais depreciado e os estímulos contínuos à demanda agregada elevam os riscos de um crescimento acima do potencial produtivo do país.
As desacelerações doméstica e global criam uma assimetria de riscos no sistema financeiro. Os perigos pesam mais para a alta dos preços do que para a baixa. Diante desse quadro, o Copom mantém uma postura conservadora e não garante a continuidade imediata dos cortes na taxa básica.