Copom eleva taxa de juros e atinge maior nível desde 2006

O Copom elevou a Selic, atingindo 15% e se tornando o terceiro maior juro real global. Expectativas de inflação foram revisadas para 3,6% até 2026.

Crédito: Agência Brasil

Na reunião realizada nesta quarta-feira, dia 7, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu elevar a taxa Selic, atingindo assim o maior nível nominal desde julho de 2006. Naquela ocasião, o Copom havia reduzido a taxa de 15,25% para 14,75% ao ano, num cenário onde os juros estavam em um processo de queda após alcançarem 19,75% em maio de 2005, um dos maiores índices da história recente.

Na tarde da mesma quarta-feira, as expectativas do mercado indicavam uma probabilidade de 80% para um aumento de 0,5 ponto percentual na Selic, enquanto havia uma chance de 20% para uma elevação mais moderada, de 0,25 ponto percentual.

Desde setembro do ano passado, o Banco Central já promoveu um incremento total de 4,25 pontos na taxa Selic, caracterizando o segundo maior ciclo de alta das últimas duas décadas. Este movimento fica atrás apenas do aumento acumulado de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu no contexto pós-pandemia.

Com a recente elevação da taxa em meio ponto percentual, o Brasil ascendeu à terceira posição no ranking global dos maiores juros reais, conforme dados do site MoneYou, registrando uma taxa real de 8,65%. O país agora se encontra atrás apenas da Turquia (10,47%) e da Rússia (9,17%), superando economias como a África do Sul (6,61%) e a Colômbia (4,68%).

O Banco Central estima que a taxa real neutra de juros no Brasil — aquela que não provoca estímulos nem retrações na economia — se situe em torno de 5%.

Além disso, o Copom revisou para baixo suas projeções quanto à inflação acumulada nos próximos 12 meses até o final de 2026. A nova estimativa passou de 3,7% para 3,6%, afastando-se do teto da meta estabelecida em 4,50%.

Ainda que tenha ocorrido essa redução nas previsões inflacionárias, as estimativas sugerem que a trajetória projetada para a Selic no relatório Focus — que antecipa um aumento até 15% ao final do ciclo em junho e uma possível redução de 0,25 ponto percentual em dezembro — poderá ser insuficiente para trazer a inflação para o centro da meta estabelecida em 3% durante o período analisado pelo Banco Central.

Desde a última reunião ocorrida em janeiro deste ano, a cotação do dólar utilizada nas projeções caiu de R$ 5,80 para R$ 5,70. As medianas do relatório Focus também foram ajustadas: para o IPCA em 2025 e 2026 as projeções passaram respectivamente de 5,66% para 5,53% e de 4,48% para 4,51%. Além disso, observou-se uma queda nos preços das commodities.

A previsão do Copom para o IPCA acumulado em 2025 foi ajustada de 5,1% para 4,8%, embora ainda esteja acima do teto da meta.

Todas essas projeções consideram a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic conforme apresentado no relatório Focus e a expectativa sobre os preços do petróleo que devem seguir um aumento gradual de aproximadamente 2% ao ano após seis meses.

No cenário revisado pelo Copom também houve ajustes nas previsões relacionadas aos preços livres: a inflação esperada para esses itens foi reduzida de 5,4% para 5,3% em 2025 e de 3,5% para 3,4% em 2026. Para os preços administrados a expectativa passou de uma alta prevista de 4,3% para um ajuste mais ameno de 3,5% neste ano e uma diminuição projetada de 4,2% para 4% no horizonte relevante.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 07/05/2025
  • Fonte: Sorria!,