Copom decide nesta quarta (5) o futuro da Selic

Especialistas preveem manutenção da taxa Selic em 15% até 2026, apesar da inflação em desaceleração

Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Nesta quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil realiza a penúltima reunião do ano em um contexto de inflação que apresenta sinais de desaceleração, embora alguns preços, como os da energia, ainda exerçam pressão significativa. Especialistas do mercado projetam que a taxa Selic será mantida em seu nível mais elevado em quase duas décadas.

Atualmente, a Selic se encontra em 15% ao ano, a maior taxa desde julho de 2006, quando atingiu 15,25%. Desde setembro de 2022, a taxa passou por sete elevações consecutivas, e nas últimas reuniões realizadas em julho e setembro, o Copom decidiu não realizar novos ajustes.

A expectativa é que o anúncio oficial sobre a Taxa Selic ocorra no início da noite desta quarta-feira. De acordo com a ata da reunião anterior, realizada em setembro, o Copom indicou que manteria a Selic em 15% ao ano por um período prolongado.

Conforme informações da ata, a economia dos Estados Unidos e as tarifas impostas pelo país têm demonstrado um impacto mais significativo sobre os preços do que questões estruturais historicamente desafiadoras. No cenário interno, algumas tarifas, especialmente na área de energia, continuam a pressionar os índices de inflação mesmo com a desaceleração econômica.

O boletim Focus mais recente, uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com analistas de mercado, sugere que a taxa básica deverá permanecer em 15% até o final de 2025 ou início de 2026. As divergências atuais entre os analistas concentram-se no período exato do próximo ano em que se espera uma redução nas taxas de juros.

Inflação em análise

A trajetória da inflação continua incerta. A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou apenas 0,18% em outubro e acumula uma variação de 4,94% nos últimos 12 meses. Os preços médios dos alimentos recuaram pelo quinto mês consecutivo. O resultado final do IPCA referente ao mês completo de outubro será divulgado no próximo dia 11.

De acordo com o boletim Focus, a previsão de inflação para 2025 caiu para 4,55%, em comparação com 4,8% há quatro semanas. Essa estimativa permanece levemente acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, podendo chegar até 4,5% devido ao intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

A importância da Taxa Selic

Selic
Divulgação

A taxa Selic serve como referência para as negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional dentro do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e é crucial para definir as demais taxas na economia. Este indicador é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. O BC realiza operações diárias no mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos – com o intuito de manter os juros próximos ao patamar determinado nas reuniões.

Um aumento na taxa básica é uma estratégia para conter uma demanda aquecida; isso resulta em reflexos sobre os preços uma vez que juros elevados encarecem o crédito e incentivam a poupança. Em contrapartida, taxas mais altas podem restringir o crescimento econômico. Adicionalmente à Selic, bancos consideram outros fatores na definição das taxas cobradas aos consumidores, como risco de inadimplência e custos administrativos.

Com a redução da Selic, espera-se que o crédito se torne mais acessível, estimulando tanto a produção quanto o consumo e contribuindo para um controle mais efetivo da inflação e um impulso à atividade econômica.

O Copom realiza suas reuniões a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro são apresentadas análises técnicas sobre as evoluções das economias brasileira e global e sobre o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom deliberam sobre as opções disponíveis e definem a taxa Selic.

Meta Contínua

Pela nova metodologia de meta contínua implementada desde janeiro deste ano, o Banco Central visa atingir uma meta de inflação estabelecida pelo CMN em 3%, com um intervalo de tolerância que varia entre 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso implica limites entre 1,5% e 4,5%.

No modelo vigente, as metas são avaliadas mensalmente com base na inflação acumulada ao longo dos últimos 12 meses. Assim, em novembro de 2025 será feita uma comparação da inflação acumulada desde dezembro de 2024 com a meta estabelecida. Esse procedimento se repetirá mensalmente, permitindo um acompanhamento dinâmico ao longo do tempo.

No último Relatório de Política Monetária publicado pelo Banco Central no final de setembro, foi mantida a previsão de que o IPCA termine o ano de 2025 com uma variação de 4,8%. Contudo, essa estimativa pode ser revisada conforme as flutuações do dólar e dos índices inflacionários. A próxima versão deste relatório será divulgada no final de dezembro.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 05/11/2025
  • Fonte: Secult PMSCS