Saiba como funciona o chip na bola que decidiu Croácia x Portugal
Tecnologia embarcada na bola da Copa do Mundo detectou um toque quase imperceptível, anulou o gol da Croácia e garantiu a classificação de Portugal.
- Publicado: 03/07/2026 15:55
- Alterado: 03/07/2026 15:56
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: ABCdoABC
A tecnologia embarcada na bola Trionda foi decisiva para a classificação de Portugal na Copa do Mundo. Um leve desvio no cabelo do atacante croata Igor Matanovic, identificado pelos sensores instalados na bola durante a prorrogação, anulou o gol de empate da Croácia e confirmou a vitória portuguesa por 2 a 1. A decisão evitou a disputa por pênaltis e colocou o sistema de impedimento semiautomático no centro das discussões sobre arbitragem nesta semana.
Enquanto os jogadores croatas comemoravam o que seria o gol de empate, o sistema registrou uma alteração na trajetória da bola provocada pelo contato com o atacante. O lance não foi percebido pela arbitragem em campo, mas os dados enviados pelos sensores chegaram à equipe do VAR, que revisou a jogada e confirmou o impedimento.
“Para ser honesto, senti um leve contato com o meu cabelo. Perguntei ao árbitro, que não tinha certeza sobre o lance, e ele explicou que a bola possui sensores e que houve um toque, configurando o impedimento”, relatou Matanovic após a partida.

O uso da tecnologia na Copa do Mundo
A edição mais recente da Copa do Mundo ampliou o uso de tecnologias para auxiliar a arbitragem. A bola Trionda, desenvolvida pela Adidas, envia dados ao sistema do árbitro de vídeo 500 vezes por segundo, permitindo o acompanhamento detalhado de cada jogada em tempo real.
O objetivo da fabricante é reduzir o tempo de interrupção nas partidas e tornar as decisões mais rápidas e consistentes, como foi nesse lance na Copa do Mundo.
“Um dos principais focos foi ajudar os árbitros a tomarem decisões corretas com mais agilidade, já que revisões longas do VAR afetam o ritmo do jogo”, afirmou Hannes Schaefke, líder de inovação em futebol da empresa, em entrevista anterior.
Como é a estrutura da bola Trionda

A Trionda foi desenvolvida com uma estrutura diferente da utilizada na Copa do Mundo do Catar. O número de painéis externos caiu de 20 para apenas quatro, com a tecnologia sendo incorporada diretamente no corpo da bola.
Entre os principais componentes estão:
- Módulo eletrônico interno, posicionado dentro de um dos painéis
- Contrapesos de equilíbrio, distribuídos para manter estabilidade aerodinâmica
- Bateria recarregável, que precisa ser carregada periodicamente
- Unidade de medida inercial (IMU), com sensores de aceleração e rotação
Esses elementos trabalham em conjunto para registrar movimentos e impactos durante toda a partida.
Como o sistema identifica os lances
Segundo especialistas, o sistema consegue registrar variações muito rápidas no movimento da bola, captando aceleração, vibração e rotação.
“A bola possui uma unidade inercial com acelerômetros e giroscópios. Esses sensores detectam mudanças bruscas quando há contato, seja um chute, um desvio ou um toque leve”, explica a professora de Engenharia de Controle e Automação do Instituto Mauá de Tecnologia, Andressa Corrente Martins.
A taxa de amostragem de 500 Hz significa que o sistema registra dados a cada dois milissegundos. Essas informações são cruzadas com as imagens das câmeras utilizadas pelo VAR para determinar o momento exato do toque.
Diferença entre impacto e interferências externas
Um dos desafios da tecnologia é diferenciar contatos reais de interferências externas, como chuva ou contato com o gramado.
“Uma gota de chuva gera pequenos sinais aleatórios e de baixa energia. Já o toque de um jogador cria um padrão mais claro e identificável nos dados”, explica a engenheira.
Esse processo envolve a análise combinada do sinal físico da bola e das imagens captadas durante a jogada, permitindo filtrar ruídos e identificar eventos relevantes.
O impacto da tecnologia na arbitragem
O uso desse tipo de sistema tem alterado a forma como decisões são tomadas não apenas na Copa do Mundo, mas em todas as ligas. A análise deixa de depender apenas da interpretação humana e passa a ser apoiada por dados físicos e modelos computacionais.
“Uma taxa de 500 Hz é suficiente para capturar eventos muito rápidos, que duram apenas milissegundos”, observa Andressa Martins.
Na prática, os dados são enviados em tempo real para o sistema do VAR, que cruza as informações da bola com o rastreamento dos jogadores em campo. O resultado é uma análise mais precisa do momento exato de cada ação.
O episódio no jogo entre Croácia e Portugal reforça como a tecnologia tem assumido um papel cada vez mais relevante no futebol. Em lances ajustados por milímetros, sensores, câmeras e inteligência de dados vêm se tornando parte central das decisões dentro de campo.