Copa do Mundo coloca o Brasil diante de dois desafios históricos

Além de buscar vaga nas quartas, o Brasil tenta vencer a Noruega pela primeira vez e voltar a eliminar uma seleção europeia em um Mundial

Crédito: (Sam Robles/CBF)

O Brasil entra em campo neste domingo (5), às 17h (horário de Brasília), para enfrentar a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 carregando dois desafios que vão além da classificação às quartas de final. Além de seguir vivo na disputa pelo hexacampeonato, a Seleção Brasileira tenta encerrar um retrospecto histórico desfavorável diante dos noruegueses e colocar fim a uma sequência de eliminações para seleções europeias em confrontos decisivos de Mundiais.

O duelo, disputado em Nova Jersey, nos Estados Unidos, representa uma oportunidade para a equipe comandada por Carlo Ancelotti escrever um novo capítulo em uma rivalidade curta, mas marcada por resultados negativos para o futebol brasileiro.

Noruega segue invicta diante da Seleção Brasileira

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(Créditos: Rafael Ribeiro/CBF)

Em quatro confrontos oficiais e amistosos entre as seleções principais, o Brasil jamais conseguiu derrotar a Noruega. O retrospecto registra duas vitórias da equipe escandinava e dois empates.

O primeiro encontro aconteceu em julho de 1988, em Oslo, e terminou empatado por 1 a 1. A seleção norueguesa abriu o placar com Jan Age Fjortoft, enquanto Edmar garantiu a igualdade para o Brasil, que era comandado por Carlos Alberto Silva e contava com nomes como Taffarel, Jorginho e Romário.

Quase uma década depois, em maio de 1997, também na capital norueguesa, veio a derrota mais expressiva da história do confronto. Mesmo com Ronaldo e Romário no ataque, o Brasil foi superado por 4 a 2. O atacante Tore André Flo marcou duas vezes e se transformou em um dos grandes algozes da Seleção naquele período.

Na Copa do Mundo de 1998, as equipes voltaram a se enfrentar na última rodada da fase de grupos. O Brasil saiu na frente com Bebeto, mas novamente sofreu a virada. Flo voltou a marcar, e Kjetil Rekdal definiu a vitória norueguesa por 2 a 1 em cobrança de pênalti.

O confronto mais recente ocorreu em agosto de 2006, na estreia de Dunga como técnico da Seleção Brasileira. Em Oslo, os donos da casa abriram o placar com Morten Pedersen, enquanto Daniel Carvalho evitou nova derrota brasileira ao marcar o gol do empate em 1 a 1.

A atual geração da Noruega também mantém ligações diretas com aqueles confrontos históricos. O atacante Erling Haaland é filho do ex-lateral Alf-Inge Haaland, que enfrentou o Brasil em 1997. Já o técnico Stale Solbakken integrava aquela seleção como jogador.

O lateral Douglas Santos afirmou que o histórico serve como incentivo para o elenco brasileiro. “Acho que isso pode servir como motivação para que a gente possa tirar essa escrita. A gente espera que nesse jogo, que é tão especial para nós, possamos dar o melhor e sairmos felizes e contentes com a vitória”, declarou.

Brasil tenta acabar com jejum diante de europeus em mata-matas

Uma eventual vitória sobre a Noruega também encerraria outro longo tabu da Seleção Brasileira. A última vez que o Brasil eliminou uma equipe europeia em fase decisiva de Copa do Mundo aconteceu em 2002, quando derrotou a Alemanha por 2 a 0 na final disputada em Yokohama, com dois gols de Ronaldo, conquistando o pentacampeonato.

Desde então, o caminho brasileiro nos Mundiais passou a ser interrompido repetidamente por seleções do continente europeu. Nas quartas de final de 2006, a França eliminou o Brasil por 1 a 0 com atuação memorável de Zinedine Zidane. Em 2010, foi a vez da Holanda virar o placar e vencer por 2 a 1 nas quartas de final.

A campanha de 2014 terminou de forma traumática na semifinal contra a Alemanha, que venceu por 7 a 1 no Mineirão, em Belo Horizonte, no resultado mais marcante da história recente da Seleção.

Brasil e Alemanha - Copa do Mundo de 2014
(Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Quatro anos depois, a Bélgica superou o Brasil por 2 a 1 nas quartas de final da Copa da Rússia. Em 2022, no Catar, a eliminação veio diante da Croácia, que empatou a partida na prorrogação e garantiu a classificação nos pênaltis.

O atacante Matheus Cunha reconheceu que as eliminações recentes fazem parte das conversas do grupo, mas afirmou que o foco está em construir uma nova história. “Temos até certas conversas sobre o momento exato da eliminação porque muitos dos nossos jogadores passaram por isso, mas é muito mais sobre não querer reviver aquele dia do que propriamente sobre o adversário ou a escola de onde ele vem, no caso a europeia. Para ganhar a Copa do Mundo, temos de passar por essas dificuldades. Que agora seja diferente e possamos contar uma outra história”, afirmou.

Com a classificação às quartas de final em jogo, o Brasil terá diante da Noruega a oportunidade de interromper duas sequências negativas ao mesmo tempo. A vitória significaria não apenas a continuidade da caminhada rumo ao hexacampeonato, mas também o fim de um retrospecto que atravessa gerações da Seleção Brasileira.

  • Publicado: 05/07/2026 10:40
  • Alterado: 05/07/2026 10:56
  • Autor: Edvaldo Barone
  • Fonte: ABCdoABC