COP30 terá praça flutuante italiana doada a Belém
Estrutura inovadora, vinda de Veneza, servirá de pavilhão no evento e ficará como legado para a cidade.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 09/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Belém receberá uma estrutura inovadora como parte do pavilhão italiano para a COP30: uma praça flutuante sobre o Rio Guamá. Batizada de AquaPraça, a plataforma servirá como arena de debates durante a conferência climática da ONU e terá capacidade para 150 pessoas. A grande notícia é que, após o término da COP30, a Itália doará a obra para o Brasil, com planos de que ela permaneça em Belém como legado para além da COP30.
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De Veneza para Belém: A jornada da AquaPraça
A plataforma, denominada AquaPraça, é uma criação do arquiteto italiano Carlo Ratti. Sua estreia ocorreu na Bienal de Arquitetura de Veneza, onde ficou exposta por duas semanas em setembro. A construção em aço, originária do norte da Itália, cruzou o oceano por via marítima e chegou a Belém em meados de outubro. Desde então, passa por adaptações necessárias, como a instalação de um teto para proteção contra as intempéries locais.
Inspiração e tecnologia da ágora flutuante
A estrutura ficará ancorada próximo à Casa das Onze Janelas. Ratti, que também é curador da Bienal de Arquitetura, explicou que a ideia era criar um espaço público que dialogasse com a água, uma “ágora flutuante”. A inspiração, segundo ele, vem do “Teatro del Mondo”, obra de Aldo Rossi de 45 anos atrás. Contudo, há uma diferença crucial: “Enquanto a estrutura de Rossi estava fixada no mar, a AquaPraça se adapta e interage com as condições da água“, disse Ratti à Folha.
Com 400 metros quadrados e 175 toneladas de aço marítimo reciclado, a AquaPraça possui um design quadrado com níveis variados. O projeto, uma colaboração com o escritório Höweler + Yoon, de Boston, utiliza tanques de lastro para se ajustar dinamicamente às marés do rio. “Nosso objetivo foi criar uma ágora que represente o coração urbano do discurso público nas cidades“, afirmou Ratti.
A tecnologia embarcada inclui sensores que monitoram a água e ajustam os tanques para manter a estabilidade. “Ela funciona quase como um organismo vivo”, completou Ratti.

Um legado da Itália para a COP30
O projeto foi financiado pelo governo italiano (Ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente) e empresas, sendo concebido desde o início como parte do pavilhão da Itália para a COP30. Ele complementará as estruturas oficiais localizadas na Zona Azul, onde ocorrem as negociações formais da cúpula.
Ratti destacou a semelhança entre as sedes: “Ambas as cidades [Belém e Veneza] vivem em simbiose com a água; embora uma seja lagunar e a outra fluvial, estão na linha de frente das mudanças climáticas e funcionam como laboratórios naturais para adaptação”.
A escolha do local de ancoragem foi sugerida pela organização brasileira da COP30. Após o evento, a estrutura será oficialmente doada, embora a definição de qual instituição assumirá sua gestão futura ainda esteja em discussão. Esta é uma das grandes movimentações de infraestrutura para a COP30 em Belém.