COP30: fotos de jovens mostram crise ambiental urbana

Projeto que Inspira a COP30 em 2025 transforma problemas ambientais em arte crítica

Crédito: Danilo Silva - Thales - São Bernardo do Campo (SP)

A COP30Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será sediada em Belém, Pará, em 2025 – está a anos-luz da realidade de jovens como Danilo Silva, Lorena Neres Rosa e Joel Rodrigues da Silva. Eles não são diplomatas nem chefes de estado, mas carregam uma semelhança crucial: são a face da juventude periférica brasileira, estudantes da rede pública e moradores de municípios que enfrentam enormes e urgentes desafios ambientais. Longe dos palcos de negociação global, esses estudantes encontraram uma solução criativa e potente para fazer sua voz ser ouvida por quem realmente tem poder de decisão na agenda climática: eles usaram as lentes de seus próprios celulares.

A coleta dessas imagens resultou em uma exposição fotográfica virtual e aberta ao público, um manifesto visual que serve como um chamado de atenção e um preparatório para as discussões que serão levadas à COP30 em Belém.

O olhar crítico que inspira a Agenda da COP30

A iniciativa, idealizada e promovida pelo programa Formare, da Fundação Iochpe, vai muito além de um simples projeto de fotografia. Seu objetivo central é conectar esses jovens às grandes discussões globais, fortalecer de maneira genuína a sua consciência socioambiental e estimulá-los a assumir um papel de protagonismo na construção de um futuro melhor e mais sustentável.

Busca-se, essencialmente, provocar os estudantes para que expressem seu olhar crítico, sensível e criativo sobre os problemas ambientais que os cercam. O projeto transforma vivências cotidianas em expressões de consciência, pertencimento e esperança, valorizando a voz da juventude.

Claudio Anjos, presidente da Fundação Iochpe, destaca o impacto e a relevância social da mobilização: “Conseguimos mobilizar estudantes de diferentes empresas parceiras para entender os desafios climáticos e as oportunidades de um mundo mais sustentável. Esses jovens registraram suas percepções em seus territórios, mostrando que falar de meio ambiente é também falar de saúde, mobilidade, renda e futuro.”

“Mais do que observadores, esses estudantes são protagonistas de uma nova geração que começa a ingressar no mundo do trabalho com um olhar atento para a sustentabilidade. Eles podem influenciar decisões, repensar práticas e impulsionar os chamados ‘empregos verdes’, que unem propósito, inovação e impacto social.”

A campanha traz uma reflexão incisiva: as comunidades que menos participam das grandes discussões climáticas são justamente as que mais sentem seus efeitos. É um paradoxo social que a exposição busca expor, mostrando que mesmo das áreas mais vulneráveis “emergem olhares potentes”.

Da Técnica à Consciência: O Apoio para um Registro de Impacto

Para garantir que os registros fotográficos em campo tivessem a máxima qualidade técnica e narrativa, os jovens contaram com um apoio de peso: o fotógrafo Érico Hiller.

Hiller, autor do aclamado livro Água Brasil, dedicou parte de seu tempo em um webinar exclusivo, onde interagiu com os estudantes. Ele compartilhou sua experiência no registro de desafios da crise hídrica no país e, crucialmente, ensinou técnicas básicas de fotografia para que os participantes pudessem aproveitar ao máximo os recursos de seus aparelhos celulares – a principal e, muitas vezes, única ferramenta disponível para o registro.

Lixo e Indiferença: O Manifesto de Danilo Silva

Entre os trabalhos de maior destaque está o do estudante Danilo Silva, que mora em São Bernardo do Campo e é aluno da empresa parceira Thales. Ele escolheu clicar o trabalho essencial dos catadores de lixo, transformando um cenário de descarte em um poderoso ato de resistência social.

Em seu depoimento, o jovem detalha a profundidade de seu olhar: “Entre o concreto e o lixo, há uma história que a cidade finge não ver. Essas mãos que vasculham restos não buscam luxo, buscam vida. Em cada pedaço de papelão, em cada embalagem esquecida, existe a prova de uma sociedade que produz abundância e, ao mesmo tempo, descarta pessoas.”

Ele prossegue com a crítica contundente sobre a ausência de dignidade: “As caçambas de lixo que relatam uma falsa ajuda esperançosa e os fazem acreditar de que ainda há um certo grau de importância para aqueles que vivem à base de restos.” A imagem de um cão que observa o cenário, “fiel e silencioso”, ressalta a indiferença. Para Danilo, o verdadeiro lixo “não está nas ruas, mas na indiferença”.

A exposição de Danilo, Lorena e Joel é um lembrete vívido de que a luta pela sustentabilidade está intrinsecamente ligada à justiça social. Sua arte fotográfica, focada nos desafios ambientais de suas cidades, serve como um poderoso e inspirador prelúdio para as discussões que serão travadas na COP30 no Brasil, provando que as soluções e as críticas mais honestas podem vir das comunidades que estão na linha de frente dos impactos climáticos.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 13/11/2025
  • Fonte: FERVER