COP30: Entenda a estrutura e a agenda do evento em Belém
A 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP30, se divide em zonas temáticas no Parque da Cidade, em Belém
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A capital paraense, Belém, se prepara para ser o epicentro do debate climático global. Entre 10 e 21 de novembro de 2025, a cidade sediará a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), onde líderes mundiais, negociadores e a sociedade civil se reunirão para traçar as estratégias de enfrentamento ao aquecimento global. Para dar conta da complexidade e da abrangência do evento, a organização estruturou as atividades em diferentes espaços, focados em negociação, engajamento e contraponto. Conhecer o funcionamento de cada uma dessas áreas, especialmente as Zonas Azul, Verde e as paralelas Zonas Amarelas, é fundamental para entender como a COP30 moverá a agenda de sustentabilidade.
1. Blue Zone: O palco das decisões e negociações oficiais da COP30
A Zona Azul (Blue Zone) é, indiscutivelmente, o coração diplomático da conferência e o espaço mais restrito e formal da COP30. Localizada no Parque da Cidade, é neste ambiente que se desenrolam as negociações oficiais entre os chefes de Estado, chefes de governo e representantes de alto escalão das nações participantes. A Cúpula de Líderes, momento de maior visibilidade política, e a concentração de pavilhões nacionais também ocorrem neste local estratégico.
O acesso à Blue Zone é extremamente controlado, exigindo um credenciamento especial e intransferível. Observadores e a imprensa devidamente credenciada têm permissão para acompanhar a movimentação e os eventos secundários, mas não as salas fechadas de negociação, que são o foco das delegações oficiais.
A Missão da Zona Azul: Segundo a organização da COP30, este ambiente é crucial para permitir que “países, organizações credenciadas e ONGs dialoguem e apresentem seus projetos, estratégias e soluções para a agenda climática”. A estrutura conta com plenárias, encontros multilaterais, salas de imprensa e escritórios dedicados às delegações, funcionando como um complexo centro de governança climática.
2. Green Zone: Engajamento Público, Inovação e Diálogo da Sociedade Civil

Em total contraste com o ambiente formal e restrito das negociações, a Zona Verde (Green Zone) cumpre um papel de aproximação e engajamento. Também no Parque da Cidade, ela oferece acesso livre ao público, sem a necessidade de credenciamento. O objetivo central é reunir a sociedade civil, instituições públicas e privadas, além de líderes globais, para fomentar o diálogo, a inovação e o investimento sustentável.
A Zona Verde tem diretrizes claras para não se tornar uma “feira comercial”. Seus focos são:
- Valorizar soluções climáticas concretas e aplicáveis;
- Ampliar a conscientização pública e o debate acessível;
- Favorecer redes e alianças em prol de ações climáticas.
A organização ressalta que “a Zona Verde cumpre papel fundamental ao aproximar a agenda climática da vida das pessoas”, reforçando a inclusão no debate e a implementação de ações climáticas, alinhadas ao chamado por um Mutirão Global.
3. Yellow Zones: O Contraponto Periférico e a Voz das Baixadas

Além das duas áreas oficiais, ganham destaque as chamadas Yellow Zones (Zonas Amarelas), uma iniciativa paralela e de contraponto criada pelo coletivo “COP das Baixadas”. Estes espaços promovem debates e atividades em bairros periféricos de Belém, garantindo que a agenda climática contemple as realidades e os desafios das comunidades locais.
As Zonas Amarelas estão distribuídas em pelo menos três locais importantes do Jurunas e da Vila da Barca, incluindo o Centro Cultural Gueto Hub, o Espaço Eco Amazônia e a Biblioteca Comunitária Barca Literária. Nesses pontos, a programação é voltada para a conscientização ambiental, atividades culturais e cursos que dão voz às periferias.
Um dos pontos altos desta programação paralela é o “Pedal Rumo à 3ª COP das Baixadas”. Manifestantes percorrem 20 km, partindo do Espaço Cultural Ruth Costa, no bairro de Águas Lindas, até a Vila da Barca, em um ato que simboliza a mobilização e a resistência popular em meio ao grande evento internacional da COP30. O fenômeno das Yellow Zones sublinha a importância de um debate climático que seja verdadeiramente inclusivo e descentralizado.
A Urgência da Ação: O Compromisso de Belém em 2025
A realização da COP30 em Belém, no coração da Amazônia, eleva o protagonismo do Brasil na diplomacia climática. A divisão em diferentes zonas temáticas é uma estratégia que busca dar espaço tanto às complexas negociações de alto nível (Blue Zone) quanto à mobilização e inovação da sociedade (Green Zone e Yellow Zones), garantindo que a urgência da ação climática seja sentida e debatida em todas as esferas. A expectativa é que o evento resulte em compromissos mais ambiciosos e em uma aceleração das políticas necessárias para limitar o aumento da temperatura global.