COP30 debate sobre papel das bicicletas na redução de CO₂
A ascensão da bicicleta elétrica no Brasil evitou 5,9 milhões de toneladas de CO₂. Especialistas defendem a mobilidade ativa como pilar central da COP30.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 07/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O debate global sobre a crise climática se intensifica, e com a proximidade da COP30 em Belém (PA), em 2025, a busca por soluções de redução de emissões de CO₂ ganha urgência. O setor de transporte, responsável por cerca de 25% das emissões globais, está sob os holofotes da ONU. Neste cenário crucial, a bicicleta elétrica e os modelos convencionais emergem não apenas como alternativas, mas como pilares essenciais para a descarbonização das cidades brasileiras. Mais do que um meio de deslocamento, a mobilidade ativa é uma estratégia climática de alto impacto e acessibilidade imediata.
Com a COP30 no horizonte, cidades como Fortaleza, com 497,8 km de malha cicloviária, e São Paulo, com mais de 770 km de ciclovias e ciclofaixas, mostram avanços concretos. Além de reduzir emissões, as bicicletas diminuem congestionamentos, ruídos e consumo de combustíveis fósseis.
De acordo com a Abraciclo, o Brasil produziu 180 mil bicicletas no primeiro semestre de 2025, consolidando o mercado como um dos protagonistas da transição ecológica.
Saiba mais detalhes sobre o debate sobre a COP30
O impacto direto: milhões de toneladas de CO₂ Evitadas

Empresas brasileiras do setor já comprovam o potencial dessa transformação. A Oggi Bikes, por exemplo, reporta ter ajudado a evitar a emissão de aproximadamente 5,9 milhões de toneladas de CO₂ nos últimos 11 anos, desde sua fundação, com base nas milhões de unidades vendidas no Brasil. Essa projeção considera a substituição da média de emissões de um carro a combustão (que libera cerca de 4,6 toneladas de dióxido de carbono por ano, segundo estimativas internacionais).

O crescimento do mercado é um reflexo direto da crescente consciência ambiental. Em 2025, a Oggi viu suas vendas de modelos convencionais e da bicicleta elétrica crescerem 30% até setembro, contribuindo para evitar a liberação de cerca de 382 mil toneladas de CO₂ apenas neste ano, o que equivale à capacidade de absorção anual de 2,3 milhões de árvores.

A Professora Lina Varon, especialista em sustentabilidade da Faculdade ESEG, explica o princípio fundamental que sustenta esses números:
“Tudo o que fazemos para reduzir as emissões de CO₂ está diretamente ligado ao combate às mudanças climáticas. Quando escolhemos nos deslocar sem consumir combustíveis — mesmo os chamados “limpos”, como o etanol —, evitamos liberar gases de efeito estufa. Por isso, pedalar é uma prática sustentável: além de poupar emissões, promove saúde física e mental.”
Pergunta para Lina Varon: Mesmo com veículos elétricos, por que a bicicleta ainda é um diferencial?
“Veículos elétricos são um grande avanço, mas ainda exigem energia — e essa energia nem sempre vem de fontes totalmente limpas. Já a bicicleta é um meio de transporte de emissão zero durante o uso. Ela elimina o consumo de combustível, reduz o ruído urbano e ocupa muito menos espaço. Por isso, continua sendo uma das soluções mais simples e eficazes para reduzir o impacto ambiental das cidades.
O Gigante adormecido: Por que 6,2% é pouco demais?
A urgência dessa transição é amplificada pelos compromissos do Brasil no Acordo de Paris, que prevê uma redução de 53% das emissões até 2030. No entanto, o Censo Demográfico 2022, do IBGE, revela que o carro ainda domina a rotina:
- 32,3% dos trabalhadores usam automóvel;
- 17,8% vão a pé.
- Apenas 6,2% dos trajetos (cerca de 4,4 milhões de pessoas) são realizados por meios sustentáveis como a bicicleta.
Esse cenário, contudo, esconde um potencial de crescimento gigantesco. O Censo aponta que 56,8% da população leva até 30 minutos para chegar ao trabalho, um tempo ideal para deslocamentos ativos, especialmente com o auxílio de uma bicicleta elétrica. O modelo elétrico, com seu motor auxiliar, elimina as barreiras de longas distâncias e topografia.
O diferencial da bicicleta frente ao carro elétrico
Enquanto os veículos elétricos (VEs) ganham espaço, a bicicleta ainda mantém um diferencial incontestável em termos de sustentabilidade urbana e ambiental. A Professora Varon detalha por que a bicicleta é, muitas vezes, a solução mais limpa:
“Veículos elétricos são um grande avanço, mas ainda exigem energia — e essa energia nem sempre vem de fontes totalmente limpas. Já a bicicleta é um meio de transporte de emissão zero durante o uso. Ela elimina o consumo de combustível, reduz o ruído urbano e ocupa muito menos espaço. Por isso, continua sendo uma das soluções mais simples e eficazes para reduzir o impacto ambiental das cidades.”
Além disso, a especialista reforça que a bike vai além da questão climática, pois representa uma “mudança de mentalidade”, capaz de tornar as cidades mais humanas, silenciosas e sustentáveis, conforme afirma David Peterle, CEO da Oggi Bikes.

Pergunta para Lina Varon: mesmo com veículos elétricos, por que a bicicleta ainda é um diferencial?
“Veículos elétricos são um grande avanço, mas ainda exigem energia — e essa energia nem sempre vem de fontes totalmente limpas. Já a bicicleta é um meio de transporte de emissão zero durante o uso. Ela elimina o consumo de combustível, reduz o ruído urbano e ocupa muito menos espaço. Por isso, continua sendo uma das soluções mais simples e eficazes para reduzir o impacto ambiental das cidades”.
Mobilidade Integrada: a pauta inevitável para a COP30

O crescimento do mercado — que produziu 180 mil unidades apenas no primeiro semestre de 2025, segundo a Abraciclo — caminha lado a lado com os investimentos em infraestrutura cicloviária, como os 497,8 km de Fortaleza e os mais de 770 km de São Paulo.
Mas para que a mobilidade ativa alcance seu potencial máximo, a visão deve ser de integração. A Professora Lina Varon destaca que, mesmo na ausência da bicicleta ou em longos percursos, há alternativas de combate à crise climática que dependem de um planejamento urbano coeso:
“O caminho está na mobilidade integrada. Meios de transporte coletivos, como metrôs e trens, reduzem o número de veículos nas ruas e, portanto, as emissões por pessoa. Mas para que funcionem bem, precisam oferecer segurança e acessibilidade — por exemplo, bicicletários nas estações, possibilidade de embarcar com a bicicleta e trajetos seguros até a residência. Quando o sistema inteiro é pensado para o usuário, a necessidade do carro individual diminui naturalmente.”
Com isso, a expectativa para a COP30 é que a mobilidade ecológica se consolide como um pilar central das cidades sustentáveis.
“A COP30 será uma oportunidade importante para reforçar que a transição energética não se faz apenas com novas tecnologias, mas também com mudanças de comportamento e planejamento urbano. A mobilidade ecológica deve entrar na pauta como um pilar das cidades sustentáveis — com políticas que incentivem o transporte coletivo limpo, a infraestrutura para bicicletas e o desenho urbano voltado para as pessoas, não para os carros.”
A conclusão é clara: o futuro sustentável, com menos emissões, começa no trajeto diário de cada um. A bicicleta elétrica, exemplificada por modelos como a Big Wheel 8.0, oferece a combinação ideal de eficiência e sustentabilidade para pavimentar esse caminho.
A COP30, sediada na Amazônia brasileira em 2025, tem um peso simbólico e prático imenso. O evento não será apenas mais uma rodada de negociações climáticas, mas sim o início do segundo ciclo de compromissos do Acordo de Paris, que completa dez anos. A localização em Belém coloca a preservação de florestas e a biodiversidade no centro das discussões globais, reconhecendo-as como soluções naturais vitais para o clima.
Neste contexto ampliado, a mobilidade ecológica – da bicicleta elétrica aos sistemas de transporte coletivo limpo – ganha destaque em três frentes de debate cruciais:
1. Financiamento Climático e Justiça Urbana debate
Um dos maiores entraves das COPs é o financiamento climático. Há uma crescente pressão para que os países desenvolvidos aumentem os recursos para que nações em desenvolvimento, como o Brasil, executem ações de mitigação e adaptação.
A especialista Lina Varon toca neste ponto ao argumentar que a mudança de comportamento, embora vital, deve ser acompanhada por infraestrutura, e como a COP30 pode auxiliar neste processo. A bicicleta elétrica, por exemplo, é uma ferramenta de transição justa:
“O Brasil está num momento em que a Justiça Climática deve ser prioridade. A pauta da mobilidade ecológica não é só sobre infraestrutura nas capitais; é sobre garantir que as populações vulneráveis, que dependem do transporte diário e que mais sofrem com a poluição, tenham acesso a alternativas limpas e seguras. A bicicleta elétrica e a infraestrutura cicloviária são, em essência, políticas de inclusão.”
2. Mobilidade Integrada em debate na COP30
O debate na COP30 em Belém deve reforçar que a transição energética não é apenas sobre trocar um combustível por outro, mas sim sobre redesenhar as cidades. A professora Varon destaca a importância da mobilidade integrada como uma alternativa aos 32,3% de brasileiros que ainda usam o automóvel para ir ao trabalho.
“A grande oportunidade da COP30 é reforçar que a mobilidade ecológica não se restringe apenas à bicicleta. Ela exige que o transporte coletivo — metrôs e trens, principalmente — seja seguro, eficiente e, crucialmente, integrado. Isso significa bicicletários nas estações, a possibilidade de embarcar com a bicicleta e a criação de ‘cinturões verdes’ seguros para o acesso dos ciclistas. Se o sistema inteiro for pensado para o usuário, a necessidade do carro individual diminui naturalmente.”
3. O ‘Mutirão Global’ e o Papel do Brasil
A COP30 é vista como uma chance de o Brasil consolidar seu protagonismo no cenário internacional, atuando como mediador entre diferentes blocos e defendendo um “Mutirão Global” pelo clima. O país deve apresentar seus esforços em transição energética e agricultura de baixo carbono.
Neste contexto, o incentivo à indústria nacional de bicicleta elétrica, como a produção na Zona Franca de Manaus, serve de exemplo prático de como o desenvolvimento econômico de baixo carbono pode andar de mãos dadas com os compromissos climáticos.
“Minha expectativa é que a COP30 traga compromissos concretos entre governos, empresas e sociedade civil. Isso inclui metas claras de redução de emissões no transporte e um estímulo robusto a soluções locais, como a manufatura e o uso da bicicleta elétrica. O evento em Belém deve ser um catalisador para políticas que incentivem o transporte limpo e o desenho urbano voltado para as pessoas, e não para os carros, transformando o ato de pedalar em um ato de consciência global.”