Brasil é petrolífero e lidera debate fóssil diz presidente da COP30
Presidente da COP30, André Corrêa do Lago, diz que status de produtor dá ao país lugar único na transição.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 09/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Brasil, sendo um significativo produtor de petróleo, possui uma “posição privilegiada“ para liderar as discussões cruciais sobre a transição energética global. A afirmação partiu de André Corrêa do Lago, presidente da 30ª Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP30), durante uma coletiva de imprensa no último domingo.
Durante o evento, Corrêa do Lago foi indagado sobre os desafios para criar um plano que facilite o abandono de fontes fósseis, especialmente frente à resistência de nações petrolíferas. Ele destacou a posição do Brasil, lembrando que, embora o país apoie a exploração de novas reservas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na Cúpula de Líderes anterior à COP30 a urgência de um “mapa do caminho” para essa transição.
LEIA MAIS: Suíça oficializa nova doação de R$ 33 milhões ao Fundo Amazônia na COP30
O desafio da transição para países produtores
O presidente da COP30 enfatizou que o debate sobre o papel do Brasil neste cenário está em plena evolução. “Embora não exista um plano definitivo, é imperativo que essa discussão ocorra. Todos os países produtores de combustíveis fósseis reconheceram a necessidade de uma transição“, afirmou Corrêa do Lago.
Complementando a visão, a CEO da COP30, Ana Toni, abordou o tema lembrando o consenso firmado na COP-28, em Dubai. Na ocasião, os países concordaram sobre a necessidade de realizar uma transição justa e ordenada, e ela observou que diversas iniciativas globais já estão sendo desenvolvidas para garantir essa justiça no processo.
A polêmica dos combustíveis fósseis na COP30
A interrupção do uso de combustíveis fósseis é vista como o passo mais crucial para enfrentar a crise climática. No centro dessa discussão está o princípio da convenção climática da ONU de “responsabilidades comuns, porém diferenciadas“, que atribui aos países desenvolvidos uma responsabilidade histórica maior, devendo eles liderar as transformações.
Apesar da pressão crescente da sociedade civil e de várias nações, o fim dos fósseis não está formalmente na agenda da próxima conferência, mas a COP30 monitora o tema de perto.
Em entrevista ao Estadão na última sexta-feira, Corrêa do Lago já havia reconhecido as dificuldades inerentes ao assunto. “Precisamos encontrar uma solução que possibilite discutir um assunto tão divisivo nas negociações climáticas e que causa preocupação em diversas nações produtoras de combustíveis fósseis”, destacou.
Neste domingo, o embaixador reforçou o tamanho do desafio, classificando como “um grande mistério” a forma como a COP30 conseguirá tratar dessa pauta sensível.