COP30: 144 países apresentam planos sobre o clima
Relatório da ONU destaca que 144 países já propuseram ações contra mudanças climáticas a um mês da COP30
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 21/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A menos de um mês para o início da COP30 em Belém, no Pará, a urgência da crise climática mobiliza a diplomacia mundial para além dos compromissos de mitigação. Um novo e significativo relatório da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) aponta um avanço crucial na agenda de resiliência: 144 países já apresentaram propostas concretas visando a redução da vulnerabilidade frente aos crescentes impactos do aquecimento global.
O documento da ONU sinaliza que o debate, programado para acontecer na COP30, climático atravessa, finalmente, um limiar decisivo, migrando da retórica de planejamento para a necessidade de implementação imediata das ações. Este movimento robusto de adaptação climática posiciona a conferência de Belém como um divisor de águas, onde a principal barreira a ser transposta será a mobilização financeira.
Os pilares da adaptação climática global
Os planos detalhados pelos países, que serão debatidos na COP30 refletem a diversidade de riscos enfrentados em escala mundial. Eles abordam uma gama variada de ameaças, desde a escalada de eventos extremos – como secas e inundações – até desafios de longo prazo, como o aumento das temperaturas, a elevação do nível do mar e as perigosas alterações nos padrões de precipitação.
As propostas convergem em áreas prioritárias, destacando setores essenciais para a sobrevivência e estabilidade socioeconômica global. A agenda de adaptação climática foca especialmente:
- Agricultura e Segurança Alimentar: Desenvolvimento de culturas mais resistentes e sistemas de produção que garantam o suprimento de alimentos mesmo sob estresse climático.
- Gestão de Recursos Hídricos: Estratégias para uso eficiente e armazenamento de água, cruciais em cenários de escassez ou excesso de chuvas.
- Proteção de Ecossistemas: Ações voltadas para zonas costeiras, ecossistemas marinhos e biodiversidade, que atuam como barreiras naturais contra os impactos do clima.
Exemplos Vivos de Resiliência: Iniciativas ao Redor do Mundo
O relatório da Convenção-Quadro da ONU destaca projetos exemplares que já estão transformando a realidade local e servem de modelo para a comunidade internacional, reforçando a importância da adaptação climática na prática.
No Brasil, o projeto “Marajó Resiliente” é citado como uma iniciativa exemplar na gestão hídrica, crucial para uma região vulnerável às mudanças nos regimes de chuvas. No Peru, as ações concentram-se na proteção de ecossistemas, visando salvaguardar a rica biodiversidade andina. Em outro continente, a Zâmbia foca na adaptação da produção agrícola, implementando sistemas inovadores de armazenamento de alimentos utilizando energia solar.
Além disso, o Haiti apresenta uma abordagem notável com a combinação de cupons de alimentos com programas de poupança e crédito. Esta estratégia leva em consideração as diferenças de impacto que a crise climática impõe a mulheres e homens, incorporando a perspectiva de gênero na resposta humanitária e de desenvolvimento.
O Desafio Financeiro de 1,3 Trilhões na COP30
Apesar do forte consenso técnico e político, o desafio do financiamento emerge como o principal obstáculo para a efetivação desses planos. Simon Stiell, Secretário-Executivo da ONU para Mudanças Climáticas, foi enfático ao sublinhar que a COP30 de Belém deve ser a conferência da mobilização de recursos.
A expectativa é ambiciosa: a conferência busca mobilizar até US$ 1,3 trilhão em investimentos, valor considerado necessário para garantir a efetivação das adaptações recomendadas nos 144 planos nacionais. A importância estratégica da COP30 reside, portanto, em transformar a boa vontade e o planejamento nacional em capital acionável, permitindo que os países vulneráveis protejam suas populações e economias.
A mensagem central é clara: a adaptação climática não é um luxo, mas uma necessidade econômica e social urgente. O passo de planejamento já foi dado por uma ampla maioria de nações. Agora, a comunidade global, reunida no Brasil, precisa demonstrar a solidariedade e o interesse mútuo para financiar a resiliência global, garantindo que o trilhão de dólares em investimento saia do papel e chegue às comunidades mais afetadas pelas mudanças do clima.