Consumo das famílias cresce 3,68% e mantém patamar recorde

Dados da ABRAS confirmam estabilidade econômica em 2025 e projetam cenário aquecido para 2026, impulsionado por isenção de IR e salário mínimo.

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O consumo das famílias brasileiras encerrou o ano de 2025 com uma alta consolidada de 3,68%, segundo levantamento exclusivo da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). O resultado confirma a manutenção de um patamar elevado de atividade econômica, repetindo o desempenho robusto observado em 2024, quando o índice atingiu 3,72%.

Este cenário reflete diretamente o aquecimento do mercado de trabalho. A redução gradual do desemprego, somada ao ganho real de renda e a uma inflação alimentar sob controle, criou o ambiente propício para a estabilidade nas gôndolas.

Marcio Milan, vice-presidente da ABRAS, destaca que a conjuntura econômica blindou o varejo de oscilações bruscas.

“A renda real em alta e a acomodação dos preços dos alimentos ajudaram a reduzir oscilações e deram sustentação ao desempenho observado, sobretudo no último trimestre.”

Dezembro, tradicionalmente o mês mais forte do varejo, não decepcionou. O consumo das famílias saltou 15,69% na comparação com novembro. Quando olhamos para o mesmo período do ano anterior, o crescimento foi de 9,52%, superando os 7,23% registrados em 2023. A injeção de recursos via 13º salário foi decisiva para essa aceleração final.

Projeção 2026: Consumo das famílias deve avançar 3,2%

Para o próximo ciclo, a ABRAS traça um panorama otimista, porém cauteloso. A estimativa é que o consumo das famílias cresça 3,2% em 2026. A sustentação desse índice virá de estímulos fiscais e de renda, que devem compensar um ambiente de crédito ainda restritivo devido à taxa Selic elevada.

Três pilares fundamentais devem injetar liquidez na economia e favorecer o varejo alimentar a partir de fevereiro:

  • Nova Tabela do IR: A isenção para quem ganha até R$ 5 mil (e redução para faixas até R$ 7.350) beneficiará cerca de 16 milhões de pessoas.
  • Salário Mínimo: O novo piso de R$ 1.621 representa um ganho real de 6,79%.
  • Programas Sociais: O orçamento federal prevê repasses massivos via Bolsa Família (R$ 158,63 bilhões) e Pé-de-Meia (R$ 11,47 bilhões).

Essas medidas tendem a fortalecer o poder de compra das classes C, D e E, que historicamente destinam a maior parte de sua renda à alimentação. Contudo, o consumo das famílias ainda enfrentará desafios. A ABRAS alerta para riscos como a desaceleração da economia global, volatilidade cambial e fatores climáticos que podem pressionar a inflação.

Queda no preço do arroz e alta do café marcam a cesta

O indicador Abrasmercado, que monitora 35 produtos essenciais, fechou 2025 com uma leve alta acumulada de 0,73%, fixando o preço médio da cesta nacional em R$ 800,35.

Houve um alívio significativo nos produtos básicos, fundamental para o orçamento doméstico. O grande vilão de anos anteriores, o arroz, liderou as quedas com uma retração expressiva de 26,55%.

Confira o comportamento dos principais itens da cesta básica em 2025:

  • Arroz: -26,55%
  • Batata: -13,65%
  • Leite Longa Vida: -12,87%
  • Feijão: -4,21%
  • Açúcar Refinado: -1,55%

Na contramão da deflação, o café torrado e moído amargou a maior alta do ano, disparando 35,64%. Itens de higiene e limpeza também pesaram no bolso, com destaque para o xampu (+7,74%) e desinfetantes (+7,60%). No açougue, o cenário foi misto: enquanto o pernil caiu 1,84%, os cortes bovinos tiveram leves ajustes (até +1,55%) e os ovos subiram 3,98%.

Cenário Regional: Onde a cesta custa mais?

A análise geográfica revela disparidades importantes no custo de vida. O consumo das famílias na região Norte enfrenta a maior pressão inflacionária, com a cesta custando R$ 872,82 (+1,36% no ano).

Em contraste, o Centro-Oeste foi a única região a registrar deflação (-0,47%), com custo médio de R$ 753,68.

Ranking do custo da cesta (35 produtos) por região:

  1. Norte: R$ 872,82
  2. Sul: R$ 869,94
  3. Sudeste: R$ 820,85
  4. Centro-Oeste: R$ 753,68
  5. Nordeste: R$ 715,34

Quando analisamos a cesta reduzida de 12 produtos básicos, o Nordeste se consolida como a região mais barata do país. Capitais como São Luís (R$ 296,25) e Fortaleza (R$ 297,92) apresentaram os menores valores globais. Já no Sul e Sudeste, cidades como Porto Alegre e Rio de Janeiro mantêm custos acima de R$ 358,00.

Essa dinâmica de preços, combinada com os novos incentivos fiscais, será determinante para ditar o ritmo do consumo das famílias ao longo de 2026.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 22/01/2026
  • Fonte: Fever