Conselho de Segurança da ONU ouvirá Brasil sobre a Venezuela

Itamaraty mobiliza diplomacia para condenar intervenções externas e defender soberania venezuelana em reunião de emergência do órgão global.

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

Mesmo sem ocupar um assento permanente, o Brasil assumirá protagonismo na próxima reunião do Conselho de Segurança da ONU. A diplomacia nacional levará ao órgão as diretrizes estabelecidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando o posicionamento crítico à apropriação de recursos naturais e intervenções militares na América Latina.

A secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, confirmou a estratégia brasileira. Durante coletiva de imprensa, ela reiterou que o país defenderá a tradição do direito internacional, condenando violações territoriais. A participação brasileira visa ecoar o comunicado conjunto elaborado em parceria com a Espanha e nações latino-americanas, buscando frear a escalada de tensão na região.

Posicionamento no Conselho de Segurança da ONU

A mensagem que será levada ao Conselho de Segurança da ONU reflete a indignação do Planalto com as recentes ofensivas. Lula classificou as ações do governo americano como a ultrapassagem de uma “linha inaceitável”, tratando o episódio como uma grave violação da soberania venezuelana. Embora não tenha citado nominalmente Nicolás Maduro ou Donald Trump, o presidente brasileiro foi incisivo na defesa da autodeterminação dos povos.

“A posição expressa pelo presidente Lula nesta manhã permanece sendo a posição oficial do Brasil e será apresentada na reunião convocada. Embora a participação ainda não esteja confirmada, o Brasil se fará presente e reiterará esses princípios.”

Alianças estratégicas e impasses regionais

Para fortalecer sua voz no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil atua em um grupo ad hoc. Em nota divulgada pelo Itamaraty, seis países expressaram preocupação com a “apropriação externa” de riquezas do país vizinho. O grupo apela para que as Nações Unidas intervenham na redução das tensões provocadas pelos Estados Unidos.

As nações signatárias do apelo incluem:

  • Brasil
  • México
  • Chile
  • Colômbia
  • Uruguai
  • Espanha

Apesar da unidade deste bloco, a reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) terminou sem consenso. O impasse diplomático contrasta com a declaração recente de Donald Trump, feita na Flórida, afirmando que seu governo gerenciará a situação em Caracas até uma eventual transição política.

Diante desse cenário complexo, o Brasil aposta todas as fichas na pressão diplomática. A expectativa é que a manifestação brasileira no Conselho de Segurança da ONU sirva como um contraponto firme às tentativas de controle externo na região, reafirmando a liderança do Itamaraty na mediação de conflitos sul-americanos.

ABC Cast analisa Venezuela após ação dos EUA e captura de Maduro

Para compreender a complexidade dos desdobramentos que levaram à mobilização no Conselho de Segurança da ONU, o ABC Cast preparou uma cobertura dedicada. O episódio especial dissecou a recente ação dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro, projetando os reflexos imediatos na geopolítica sul-americana.

Nesta edição, reunimos nossa bancada de jornalistas e um especialista em risco político para uma discussão técnica e imparcial sobre:

  • Soberania em Xeque: Os precedentes abertos pela intervenção norte-americana.
  • Impactos Regionais: Como a instabilidade afeta diretamente o Brasil e vizinhos.
  • O Futuro da Venezuela: Cenários possíveis após a mudança forçada de poder.

Não fique apenas na manchete. Entenda as engrenagens da crise.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 05/01/2026
  • Fonte: Michel Teló