A importância da conscientização e prevenção do câncer colorretal no Brasil

Câncer colorretal: crescimento alarmante de 80% em 8 anos! A detecção precoce é a chave para a cura. Conheça histórias inspiradoras e previna-se!

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O câncer colorretal é uma das neoplasias que mais afetam a população brasileira, com uma média anual de 45.630 novos casos registrados, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Um estudo realizado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) aponta um alarmante crescimento de 80,3% na incidência da doença entre os anos de 2015 e 2023. Segundo o coloproctologista e cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Marcelo Averbach, a doença se origina principalmente a partir de pólipos intestinais que, ao longo do tempo, podem evoluir para formas malignas. “Com diagnóstico precoce, as taxas de cura do câncer colorretal podem superar 90%”, afirma Averbach.

O mês de março é marcado por campanhas de conscientização sobre o câncer de cólon e reto, ressaltando a importância da detecção precoce. Os exames para identificação da doença variam conforme a idade e histórico médico do paciente. “Recomendamos que a colonoscopia seja realizada a partir dos 45 anos para a população em geral. Para aqueles com histórico familiar, a realização pode ser antecipada. Também é aconselhável realizar testes de sangue oculto nas fezes entre os 45 e 50 anos. Dependendo do caso, o médico poderá solicitar uma sigmoidoscopia, que é um exame menos invasivo”, detalha o especialista.

Um exemplo ilustrativo da importância desses exames é o da fonoaudióloga Tereza Gomes, de 62 anos, que já passou por aproximadamente sete colonoscopias ao longo de sua vida. O incentivo para esses rastreamentos partiu de sua irmã, médica que alertou a família após o falecimento do pai devido a um câncer intestinal aos 54 anos. Tereza relata: “Comecei a fazer o exame regularmente aos 40 anos. A maioria das vezes, apenas pólipos benignos foram encontrados e removidos durante os procedimentos. Contudo, em 2022, uma lesão suspeita foi identificada e necessitou ser retirada cirurgicamente. Acabei removendo 35 centímetros do intestino direito e a biópsia confirmou tratar-se de uma lesão pré-cancerígena. Graças à detecção precoce, meu quadro não evoluiu para um câncer e hoje levo uma vida normal”.

Dr. Averbach salienta que diversos fatores podem aumentar o risco para o desenvolvimento dessa condição, incluindo predisposição genética e hábitos de vida. Além do histórico familiar, questões como alimentação inadequada – rica em carnes processadas e pobre em fibras –, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool são determinantes. Doenças inflamatórias intestinais como colite ulcerativa e doença de Crohn também elevam as chances de manifestação da doença.

Sintomas como alterações nos hábitos intestinais (diarreia ou constipação persistente), presença de sangue nas fezes (vermelho vivo ou escuro), dor abdominal contínua e perda inexplicável de peso devem ser considerados sinais alarmantes que exigem atenção médica imediata.

Quanto ao tratamento, Averbach explica que nos estágios iniciais a remoção cirúrgica da área afetada pode ser suficiente. Em casos mais avançados, são necessários tratamentos combinados que incluem cirurgia, quimioterapia e radioterapia, reduzindo consideravelmente as chances de cura. “Atualmente também dispomos de terapias-alvo que visam bloquear o crescimento das células tumorais em determinadas situações”, complementa.

A pós-cirurgia, Tereza modificou seus hábitos alimentares em prol da saúde: “Agora faço colonoscopia a cada dois anos e eliminei embutidos da minha dieta. Procuro evitar alimentos ultraprocessados e reduzi bastante o consumo de álcool.” No contexto das campanhas de conscientização sobre câncer colorretal, ela enfatiza: “Eu mesma hesitei em fazer a colonoscopia no início; é um processo trabalhoso, mas os benefícios são inestimáveis. Sempre digo: tenham mais medo de não realizar o exame do que fazê-lo. Detectar problemas precocemente faz toda a diferença; no meu caso, isso impediu que minha condição evoluísse para um câncer”.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 28/03/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo