Conheça o Plano de Adaptação e Resiliência Climática de SP

O documento estabelece 236 metas para os próximos dez anos e detalha como o plano de adaptação e resiliência climática protegerá o estado

Crédito: Governo de SP

O Estado de São Paulo deu um passo decisivo para blindar seu território contra os efeitos extremos do aquecimento global. Coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC) surge como a principal bússola estratégica para orientar as políticas públicas paulistas pelos próximos dez anos. Lançado originalmente em junho do ano passado, o documento é fruto de um robusto processo democrático, desenhado para preparar as cidades e o campo para desafios crescentes, como secas prolongadas e tempestades severas.

A elaboração deste plano de adaptação e resiliência climática não foi um trabalho de gabinete. Ao longo de 2024, uma consulta pública mobilizou mais de mil pessoas em rodas de conversa e eventos técnicos. O resultado foi um engajamento recorde: mais de 600 contribuições enviadas por órgãos públicos, setor privado e sociedade civil. Demonstrando abertura ao diálogo, o governo estadual incorporou cerca de 70% dessas propostas ao texto final, garantindo que as vozes de comunidades vulnerabilizadas fossem devidamente ouvidas.

Estrutura e execução do plano de adaptação e resiliência climática

Natália Resende
Natália Resende- Divulgação/Governo de SP

Para garantir que as metas não fiquem apenas no papel, o cronograma foi dividido de forma pragmática. A fase inicial do projeto já conta com 46 ações e 101 subações programadas para os primeiros três anos de execução. No total, o plano de adaptação e resiliência climática consolida um conjunto de 49 ações e 236 subações, estruturadas para uma implementação gradual e contínua.

Segundo a secretária da Semil, Natália Resende, a iniciativa coloca o estado na vanguarda ambiental do país. “O PEARC reafirma o protagonismo de São Paulo na agenda climática, com ações concretas e integradas que garantem segurança, qualidade de vida e sustentabilidade para as próximas gerações”, pontuou a secretária.

Os cinco eixos temáticos da resiliência paulista

Governo federal amplia debate sobre estresse hídrico em São Paul
Agência Brasil

O plano está alicerçado em cinco pilares fundamentais, que atacam as frentes mais sensíveis do ecossistema paulista:

  1. Biodiversidade: Foco no combate a incêndios florestais e restauração ecológica.
  2. Segurança Hídrica: Prioridade na preservação de nascentes e universalização do saneamento.
  3. Segurança Alimentar e Nutricional: Incentivo à agricultura familiar e garantia de abastecimento em crises.
  4. Saúde Única: Integração entre a saúde humana, animal e ambiental.
  5. Zona Costeira: Medidas específicas para a proteção do litoral contra a subida do nível do mar.

Além desses, o plano de adaptação e resiliência climática introduz dois eixos transversais: Justiça Climática — que visa combater o racismo ambiental e a desigualdade de gênero — e Infraestrutura, focado em tornar transportes, energia e habitação mais resistentes a desastres.

Inovação técnica e cooperação internacional

Um dos diferenciais do PEARC é sua base técnica internacional, desenvolvida em parceria com a Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ). O projeto adota conceitos modernos de engenharia e ecologia, como as Soluções baseadas na Natureza (SbN) e a Infraestrutura Verde Azul. Essas metodologias buscam utilizar os próprios sistemas naturais para mitigar inundações e reduzir ilhas de calor nos centros urbanos.

A transparência será outro pilar fundamental deste plano de adaptação e resiliência climática. A população poderá fiscalizar o andamento de cada meta por meio de indicadores atualizados no site da Secretaria. O controle social será reforçado pelo Conselho de Mudanças Climáticas, que reúne acadêmicos, prefeituras e membros da sociedade civil para avaliar o impacto real das medidas adotadas.

Com um horizonte de dez anos e revisões periódicas, São Paulo tenta não apenas reagir aos desastres, mas antecipar-se a eles, transformando a gestão ambiental em uma política de Estado perene e inclusiva.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 20/02/2026
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show