Congressistas democratas criticam sobretaxas de Trump ao Brasil e alertam para riscos econômicos
Congressistas americanos criticam tarifas de Trump ao Brasil, alertando para riscos de guerra comercial e perda de empregos nos EUA.
- Publicado: 06/11/2025
- Alterado: 25/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Live Nation
Um grupo de onze congressistas democratas enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual expressam preocupações em relação às sobretaxas impostas ao Brasil. Os legisladores consideram a medida um “abuso de poder”, destacando que não se trata de resolver um déficit comercial, como acontece nas negociações com outras nações.
Na correspondência, os senadores afirmam: “Os Estados Unidos e o Brasil têm questões comerciais legítimas que precisam ser debatidas e negociadas. Contudo, a ameaça de tarifas por parte de sua administração claramente não visa esse objetivo. Além disso, não existe um déficit comercial bilateral que justifique tal ação”. A carta foi redigida no dia 24 de julho e enviada à Casa Branca na sequência.
Os congressistas também criticam Trump por priorizar interesses pessoais em detrimento das necessidades do povo americano, especialmente ao favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro. Eles alertam que interferir no sistema jurídico de outra nação estabelece um precedente perigoso, podendo desencadear uma guerra comercial desnecessária e colocar cidadãos e empresas americanas em risco de retaliação.
O documento prossegue afirmando: “Utilizar a força econômica dos Estados Unidos para influenciar processos judiciais em favor de um aliado representa um sério abuso de poder, diminui a influência americana no Brasil e pode comprometer nossos interesses mais amplos na região”.
A carta foi liderada pelo senador Tim Kaine, do estado da Virgínia, que já havia pautado e aprovado uma resolução no Senado para encerrar as tarifas aplicadas ao Canadá.
Em outro trecho da comunicação, os senadores argumentam que as sobretaxas sobre produtos brasileiros podem resultar na perda de 130 mil empregos nos EUA que dependem do comércio com o Brasil e elevarão os preços de itens como café.
Ainda segundo os legisladores, essa guerra comercial poderá fortalecer os laços entre o Brasil e a China em um momento crucial em que os EUA devem agir proativamente para conter a influência chinesa na América Latina.
Por sua vez, a Bloomberg News reportou que os EUA estão buscando formas de estabelecer uma base legal para justificar as tarifas de 50% impostas ao Brasil. Ao contrário de outros países afetados pelas ações tarifárias de Trump, o Brasil não apresenta superávit comercial nas relações com os Estados Unidos.
A Casa Branca estaria considerando emitir uma declaração de emergência, uma estratégia normalmente utilizada para implementar tarifas em situações de emergência nacional, como forma de justificar as sanções contra produtos brasileiros.
Durante uma visita a Osasco, São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou seu pedido à Casa Branca por espaço para negociação. Ele afirmou que seu vice-presidente, Geraldo Alckmin, tem buscado contato com o governo americano diariamente sem sucesso.
Alckmin teve uma reunião reservada com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, no último sábado. Em entrevista ao Estadão, o vice-presidente destacou o interesse do governo brasileiro em ampliar investimentos e fortalecer relações bilaterais, embora não tenha discutido a situação jurídica do ex-presidente Bolsonaro durante o encontro.