Congratulação à criação do Estado de Israel tumultua Câmara de SCS

Requerimento do vereador de São Caetano do Sul, César oliva causa tumulto na sessão da Câmara da cidade

Crédito: Comitê Regional Unificado de Defesa do Povo Palestino

A 29ª Sessão da Câmara Municipal de São Caetano do Sul, realizada na tarde desta terça-feira (30), foi marcada por manifestações e ânimos acalorados, tudo porque o vereador e líder de Governo, César Oliva (PSD) encaminhou, à Casa de Leis, um requerimento para congratular a criação do Estado de Israel pelos seus 77 anos.

Sessão da Câmara foi marcada por manifestação pró-palestina – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

O pessedista afirmou que não se trata de apoiar guerra ou genocídio e, sim, atender a um pedido da comunidade israelense e rebateu a crítica recebida da psolista.

César afirmou que seu requerimento atende a um pedido da comunidade israelense – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

Justificativa

“Isso é um voto de congratulação aos 77 anos da criação do Estado de Israel pela Organização das Nações Unidas (ONU). Isso foi um pedido da comunidade israelense que temos aqui em São Caetano. E eu dei voz a esse pedido, e a vereadora – Bruna Biondi – trouxe esse contexto de guerra, de genocídio, de assassinatos. Ela, na verdade, está totalmente fora do contexto. E aí ela ainda convoca e traz pessoas para se manifestar completamente fora do contexto”, criticou o líder de Governo.

Opinião contrária

A vereadora Bruna Biondi (Psol) expôs seu ponto de vista ao defender a não aprovação do voto de congratulação por entender que o momento é inadequado, devido a escalada beligerante e tensões na Faixa de Gaza, que tem sofrido ataques pelo Governo de Israel, comandado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Bruna criticou o requerimento ao entender que é um apoio à guerra – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

“Em defesa do povo palestino. Esse importante comitê, que eu saúdo a presença aqui, parabenizo a iniciativa de ter vindo com uma nota aqui na nossa Casa e entregue aos gabinetes dos vereadores que puderam encontrar que diz sobre a tentativa de aprovação da nossa Câmara de um voto de congratulação ao Estado de Israel no momento de maior escalada do genocídio do povo palestino. Uma Câmara, um Poder Legislativo, aprovar uma congratulação como essa, num momento como esse, é um nível de barbaridade tremendo”, refutou a psolista a aprovação do requerimento.

Contudo, entre uma fala e outra dos vereadores, os manifestantes entoavam gritos de protesto em favor do povo palestino, inclusive, o presidente da Casa, Dr. Seraphim, teve que suspender a sessão por cinco minutos até que o plenário mantivesse a ordem.

Manifestantes interromperam a sessão, que foi suspensa por cinco minutos – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

Na sequência, Bruna afirmou que o Estado de Israel comete práticas de genocídio desde a sua criação, há 77 anos, e tenta o extermínio e o apartheid de um povo, criticou o retorno da pauta para aprovação e a ação entre Donald Trump o Netanyahu.

“A cada semana que passa, que volta para discussão, se torna ainda mais absurda a probabilidade desse voto ser aprovado pelo conjunto dos vereadores”, classificou a vereadora. 

E mais uma vez, César reclamou do pequeno grupo de manifestantes, convocado pela vereadora, e que fizeram com que a sessão fosse suspensa por cinco minutos.

“A vereadora traz esse povo de novo, esse pessoal dela, que faz suspender a sessão, obstrui mais uma vez uma sessão, com tantos temas importantes de São Caetano para discutir, e ela traz o pessoal para fazer algazarra, para gritar, para ofender, e a gente está com a sessão suspensa de novo aí”, retrucou o parlamentar.

Bruna mais uma vez disparou contra o anúncio feito entre Donald Trump e Netanyahu, e disse que a escalada da guerra tem outro viés.

“A iniciativa de Trump junto a Netanyahu, de fazer uma proposta de paz, na verdade, é escancarada uma proposta de colonizar os palestinos e de fazer uma limpeza étnica, como terras que vão servir à especulação imobiliária, isso é um projeto de extermínio de um povo que não pode ser aceito por nós. Congratular um estado terrorista num momento como esse não tem outra justificativa do que se não se colocar ao lado daqueles que querem acabar com o povo palestino”, discursou Bruna.

Já o edil Jander Lira (PSB) recorreu à história ao justificar seu voto favorável ao requerimento de Oliva.

O vereador Jander defende a Resolução da ONU – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

“Meu voto é favorável à resolução, chamada Resolução da Partilha da ONU, de 1947. Na época, era presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, que determinou a criação de dois Estados. O Estado judaico, criado em 1948, e o Estado palestino, que até hoje não foi criado. E eu condeno a atitude do Hamas, não podemos aceitar, em nenhum momento, a atitude do Hamas, quando agiu de forma violenta contra o povo judeu, não podemos passar a mão em terroristas, classificou o pessebista.

Por fim, César reiterou que seu requerimento não faz referência e, tampouco, apoia a guerra.

“Mas quero deixar claro e restringir o objeto do documento e aquilo que realmente representa, que é simplesmente a criação do Estado de Israel, fez 77 anos recentemente, e ao pedido da comunidade israelense que nós temos na nossa cidade também”, concluiu o vereador.

Lira afirma ainda que o caminho para encontrar uma solução é o diálogo e que o reconhecimento da criação do Estado Palestino tem alta adesão dos países integrantes da ONU.

“O grande problema foi que não se aplicou inteiramente à decisão da ONU naquele momento. Se criou o Estado Israel, mas não se criou o Estado Palestino. Mas hoje, se não me falha a memória, dos 194 Estados filiados à ONU, já quase 160 reconhecem a necessidade da criação do Estado Palestino, ponderou ele.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 01/10/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show