Confiança do consumidor cai 3,8% em SP com juros e inflação
Incerteza econômica e inflação levam o consumidor paulistano a adotar postura mais conservadora e seletiva em abril
- Publicado: 08/05/2026 13:46
- Alterado: 08/05/2026 13:46
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
A confiança do consumidor paulistano iniciou um movimento de retração em abril, influenciada pela persistência dos juros altos e da inflação, além das incertezas no cenário geopolítico global. Segundo dados da FecomercioSP, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 3,8% no mês, atingindo 121,1 pontos.
A queda foi puxada principalmente pelas perspectivas de futuro: o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) recuou 5% em relação a março. O movimento sugere que, embora o mercado de trabalho siga resiliente, o paulistano está mais cauteloso e propenso a compras planejadas e sensíveis a promoções.
Fatores de Pressão e Comportamento

De acordo com a Federação, o cenário macroeconômico atual impõe desafios que impactam diretamente o bolso das famílias:
- Crédito Caro: A manutenção das taxas de juros em patamares elevados encarece o financiamento e eleva o endividamento.
- Seletividade: Bancos estão mais rigorosos na concessão de crédito, restringindo o consumo de bens duráveis.
- Geopolítica: Tensões internacionais elevam a volatilidade e pressionam custos de energia e logística.
Grupos Mais Afetados
A retração da confiança não foi uniforme. A queda foi mais acentuada entre:
- Renda Superior: Consumidores com renda acima de dez salários mínimos (-6,3%).
- Jovens: Público de até 35 anos (-6,3%).
- Mulheres: Recuo de 6,2%.
Em contrapartida, o grupo com 35 anos ou mais apresentou uma leve resistência, com alta de 0,5% no índice.
Intenção de Consumo e Bens Duráveis

Acompanhando o ICC, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou pelo segundo mês consecutivo (-0,8%), situando-se em 113,4 pontos. O destaque negativo fica para o consumo de bens duráveis (como eletrodomésticos e veículos) e o nível de consumo atual, que permanecem na zona de pessimismo (abaixo de 100 pontos).
Para a FecomercioSP, o varejo precisará de mais eficiência nos próximos meses. “O ciclo de consumo não se inverteu, mas perdeu força. Isso exige das empresas mais foco na percepção de valor e uma gestão de estoques mais rigorosa”, avalia a Entidade.
Comparativo Anual (Abril 2025 vs. Abril 2026)
Apesar da queda mensal, o cenário de longo prazo ainda é positivo:
- ICC Geral: +9,1%
- Acesso ao Crédito: +17,3%
- Momento para Duráveis: +22,6%