"Conclave": o filme que explora a eleição do novo papa em tempos de mudança na igreja
O filme que revela os segredos da escolha papal em meio a mistério e política, ganha relevância após a morte do papa Francisco.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 21/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O longa-metragem intitulado “Conclave”, dirigido por Edward Berger e baseado na obra homônima do autor britânico Robert Harris, explora o complexo processo de escolha de um novo papa. Com uma narrativa que mistura mistério, ritual, tradição e política, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme em 2025.
Com a recente morte do papa Francisco, ocorrida no dia 21 de abril, o tema do filme se torna especialmente pertinente, uma vez que um conclave para a eleição de um novo pontífice deverá ser convocado em breve. Apesar de ser uma obra de ficção, “Conclave” apresenta vários aspectos da eleição papal que refletem com precisão a realidade.
Robert Harris contou com a consultoria do falecido cardeal inglês Cormac Murphy O’Connor, que esteve presente nos conclaves de 2005 e 2013, ao escrever seu livro. O diretor Edward Berger e o roteirista Peter Straughan tiveram acesso a uma visita guiada exclusiva à Capela Sistina, local onde a votação ocorre.
A produção cinematográfica suscitou controvérsias em certos setores da Igreja Católica ao expor um processo tradicionalmente realizado em sigilo. O enredo retrata o confronto entre cardeais progressistas e tradicionalistas e os desafios para selecionar um candidato que possua tanto apelo quanto credibilidade para liderar a Igreja nos anos vindouros. Embora envolva questões políticas, a doutrina católica enfatiza que os cardeais devem buscar a orientação do Espírito Santo durante a votação.
Para preservar a integridade do processo eleitoral e evitar influências externas, os conclaves são realizados sob rigorosa confidencialidade, com os participantes isolados do mundo exterior. Durante este período, os cardeais são impedidos de manter qualquer tipo de comunicação com pessoas fora do conclave, o que inclui ler notícias ou receber mensagens.
Apenas os cardeais com menos de 80 anos têm direito ao voto. Os votos são depositados na Capela Sistina diante da célebre obra “Juízo Final” de Michelangelo. Cada escolha é registrada em cédulas que são incineradas após a contagem.
As votações prosseguem até que um candidato obtenha uma supermaioria de dois terços dos votos. O resultado é anunciado pela fumaça que sai da chaminé acima da Capela Sistina: fumaça branca indica a escolha de um novo papa, enquanto fumaça preta sinaliza a continuidade do processo.
O filme também retrata o lacramento da residência do papa falecido e a destruição de seu anel, além dos juramentos realizados pelos cardeais antes da votação. Detalhes como o uso de substâncias químicas para assegurar a coloração correta da fumaça e as precauções contra dispositivos de escuta na Capela Sistina são representados com fidelidade.
No entanto, algumas pequenas discrepâncias podem ser notadas na representação cinematográfica, como a disposição das mesas na Capela Sistina e as interações entre os cardeais. A reviravolta final do filme foi criticada por sua escolha criativa que diverge da veracidade histórica, optando por um desfecho mais dramático.