Compras internacionais crescem 118% após fim da taxa das blusinhas
As remessas internacionais cresceram 118% em junho após o fim da taxa das blusinhas. Medida ainda depende da aprovação do Congresso e enfrenta disputa judicial.
- Publicado: 26/07/2026 10:16
- Alterado: 26/07/2026 10:16
- Autor: Thiago Antunes
O fim da cobrança da Taxa das blusinhas provocou uma disparada imediata no volume de encomendas internacionais que chegam ao Brasil. A Receita Federal registrou a entrada de 28,36 milhões de remessas no mês de junho, marcando o primeiro ciclo completo sem a incidência do imposto federal.
Esse montante representa um crescimento de 118% em relação ao mesmo período do ano passado, quando os fiscais contabilizaram 13,02 milhões de pacotes. O indicador também aponta uma alta de 72% sobre abril deste ano, o último mês antes de o governo federal isentar as compras abaixo de US$ 50.
Pressão do varejo e alerta sobre empregos
Dirigentes do comércio nacional demonstram forte preocupação com a nova dinâmica de mercado. O Instituto para Desenvolvimento do Varejo, grupo que reúne gigantes como Magazine Luiza e Casas Bahia, prevê uma retração acentuada nas vendas internas.
A entidade argumenta que a ausência da Taxa das blusinhas cria uma assimetria competitiva desleal contra as empresas brasileiras. Os executivos do setor afirmam que a vantagem fiscal concedida às plataformas estrangeiras deve causar redução de investimentos e fechamento de postos de trabalho.
Grupos políticos ligados ao setor de serviços também cobram mudanças urgentes nas regras tributárias. “Se baixar para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro”, registrou o documento assinado por diversas frentes parlamentares da Câmara dos Deputados.
Plataformas asiáticas pedem estabilidade
Empresas globais de comércio eletrônico avaliam o atual cenário com otimismo cauteloso. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, representante de marcas como Shein e Alibaba, considera natural a corrida dos consumidores após a extinção da Taxa das blusinhas via medida provisória.
Representantes das importadoras destacam o impacto positivo nas classes populares e pedem um prazo mínimo de seis meses para analisar a sustentabilidade da demanda. “A isenção do imposto federal é um avanço para a democratização do consumo, pois promove inclusão social”, argumentou a direção da entidade, cobrando mais previsibilidade jurídica.
Impasses jurídicos e futuro do imposto
Os estados brasileiros não aderiram à isenção e mantiveram a cobrança de ICMS com alíquotas entre 17% e 20% sobre as mercadorias. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo acionou o Supremo Tribunal Federal para tentar reverter a isenção concedida pela União.
O Congresso Nacional tem até setembro para decidir se aprova a medida provisória ou restabelece a cobrança. Parlamentares sofrem intensa pressão de lobistas dos dois lados da disputa, tornando o futuro da Taxa das blusinhas uma das pautas mais quentes do atual semestre legislativo.
Independente das manobras políticas atuais, o cenário tributário mudará definitivamente nos próximos anos. O texto da reforma sobre o consumo prevê o retorno de um tributo substituto à Taxa das blusinhas em 2027, com estimativas de consultorias apontando para uma alíquota inicial próxima a 9,43%.