Compra de armas cai 91% sob Lula, mas número de fuzis volta a subir em 2025

Levantamento inédito mostra recuo expressivo na aquisição de armamentos por CACs, mas alerta para aumento de fuzis e desafios no controle do arsenal privado

Crédito: SSP

A política de restrição à aquisição de armas implementada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve um impacto expressivo no cenário armamentista nacional.

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação e analisados em conjunto com o Instituto Sou da Paz revelam uma queda de 91% na compra de armas entre 2022 e 2024, quando comparado ao último ano do governo Jair Bolsonaro (PL).

Em 2022, foram adquiridas 448.319 armas por caçadores, atiradores e colecionadores (CACs). Já em 2024, esse número caiu para 39.914. A redução acompanha um conjunto de medidas adotadas desde o início do atual governo, como a retomada da divisão por níveis dos CACs, a imposição de limites mais rígidos para o número de armas por categoria e a exigência de critérios mais rigorosos quanto à ficha criminal, ocupação e condição psicológica dos interessados.

Crescimento de fuzis preocupa especialistas em segurança

Apesar da queda geral, um dado específico tem gerado preocupação entre especialistas: o aumento de fuzis em circulação em 2025. Somente nos quatro primeiros meses do ano, foram registrados 1.248 novos fuzis, número que supera os 1.063 registrados ao longo de todo o ano anterior, representando uma alta de 17,4%.

Bruno Langeani, consultor sênior do Instituto Sou da Paz, alerta para os riscos. “Será fundamental que a Polícia Federal investigue onde e em quais perfis essas compras estão concentradas”, afirmou. Ele também destacou que a categoria de atiradores de alto rendimento é a única autorizada a adquirir até oito armas de uso restrito, como fuzis.

Durante o governo Bolsonaro, a ausência de diferenciação entre os níveis de atiradores permitia a aquisição de até 60 armas, sendo 30 de uso restrito, o que contribuiu para um estoque elevado: 48.517 fuzis foram comprados naquela gestão. Sob Lula, o número é de 3.626 até abril de 2025.

Polícia Federal assume controle sobre CACs e encontra irregularidades

A partir de 1º de julho, a Polícia Federal assumiu integralmente a fiscalização dos CACs, antes responsabilidade do Exército. A transição deve ser concluída até 29 de agosto. Para dar conta da nova função, a PF contratou 579 funcionários terceirizados, número abaixo dos 3.000 solicitados pelo Ministério da Justiça.

Um concurso público está em andamento e uma reestruturação interna foi implementada, com criação de novas delegacias e integração de sistemas de controle.

Segundo Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa da PF, 70 pessoas com registros de CAC foram presas somente neste ano por envolvimento com crimes diversos. Ele esclarece, no entanto, que o objetivo principal da PF é prestar um serviço à população.

“Não assumimos essa atribuição para buscar fraudes ou desvios, e sim para prestar um serviço aos brasileiros”, disse Kerber.

Relatórios mostram que cerca de 7.600 armas de uso restrito compradas por CACs durante o governo Bolsonaro não foram recadastradas ou tiveram o processo interrompido. Isso representa 15% do arsenal desse tipo em mãos privadas, o que aumenta o alerta sobre o risco de desvios para o crime organizado.

Desafios no controle do arsenal e os riscos à segurança pública

Mesmo com a redução nas compras, o Brasil ainda conta com cerca de 1,5 milhão de armas nas mãos de 980 mil CACs. Apenas durante o governo Bolsonaro, foram registradas 932.551 novas armas. O conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Roberto Uchôa, avalia que a simples diminuição nas aquisições não é suficiente.

“O desafio não é apenas frear a aquisição de novas armas, mas também gerenciar o vasto arsenal que já se encontra em mãos privadas”, afirmou. Uchôa também destaca que o desvio de armamentos para organizações criminosas e os altos índices de homicídios por armas de fogo tornam o aprimoramento do controle uma missão contínua.

Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que, em São Paulo, pelo menos 8% das armas apreendidas em crimes eram de CACs. Além disso, 5.200 pessoas condenadas conseguiram obter, renovar ou manter seus registros de arma, o que reforça a urgência de políticas mais eficazes de controle.

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  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 06/07/2025
  • Fonte: Sorria!,