Como enfrentar o luto durante as festas de fim de ano
Entre celebrações e ausências, especialistas apontam caminhos para atravessar dezembro sem negar a dor e sem paralisar a vida
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 24/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O encerramento do ano costuma ser associado a encontros, celebrações e rituais de confraternização. Para quem perdeu um ente querido e está em luto, porém, dezembro se impõe como um período mais difícil do calendário. As festas evidenciam a ausência física, alteram dinâmicas familiares e exigem um esforço emocional adicional para lidar com lembranças que emergem com intensidade. O lugar vazio à mesa ganha um peso simbólico e transforma o silêncio em presença constante.
Especialistas em saúde emocional reforçam que não existe um modelo único para enfrentar o luto nesse contexto. Trata-se de uma vivência profundamente individual, marcada por ritmos e reações distintas. Ainda assim, há formas de atravessar o período sem permitir que a dor se transforme em imobilidade. Segundo Lenilson Figueiredo, psicólogo parceiro do Grupo Memorial, o processo passa por transformação e não por esquecimento.
“O luto não desaparece com o tempo. Ele se transforma. Aos poucos, muitas pessoas conseguem converter a dor em uma memória mais serena, sem que isso apague o amor que permanece”, explica o especialista.
Validar sentimentos reduz a pressão emocional do luto

Permitir-se sentir tristeza, saudade ou até mesmo ambivalência é um gesto essencial de autocuidado. Durante o fim de ano, a expectativa social de alegria permanente pode levar ao abafamento das emoções, o que tende a prolongar o sofrimento. Reconhecer que a ausência dói e que o silêncio imposto pela perda é legítimo ajuda a diminuir a ansiedade e a sensação de inadequação diante das celebrações.
Aceitar os próprios limites também faz parte desse processo. Nem sempre é possível ou desejável participar de todas as confraternizações. Respeitar o tempo interno e ajustar a presença social à capacidade emocional de cada momento contribui para uma travessia menos desgastante.
Manter o vínculo sem ficar preso ao passado

Preservar a memória de quem partiu não significa permanecer estagnado no luto. Recordar histórias, gestos e valores é uma forma saudável de manter o vínculo afetivo vivo, ao mesmo tempo em que se constrói uma nova organização da vida. Repetir um hábito marcante, preparar uma receita querida ou compartilhar lembranças durante encontros familiares pode ajudar a ressignificar a ausência.
Falar sobre a pessoa também tem papel importante. Mencionar o nome, relembrar episódios marcantes ou até rir de situações vividas juntos contribui para que a saudade encontre um espaço de expressão menos doloroso. O vínculo se transforma, mas não se rompe.
Neste dezembro de 2025, reconhecer o próprio luto como parte do caminho é um passo fundamental. Quando acolhida, a saudade deixa de ser apenas um peso e passa a se tornar uma forma legítima de honrar quem fez parte da história.