Combate ao PCC e CV avança com foco em finanças ilícitas

Investigações miram lavagem de dinheiro, ampliam integração entre órgãos públicos e fortalecem ações contra facções, enquanto especialistas alertam para a expansão do controle territorial desses grupos

Crédito: SSP

Nos últimos anos, as autoridades brasileiras passaram a concentrar esforços no rastreamento, combate e bloqueio de recursos ligados ao crime organizado. A prioridade tem sido desmontar estruturas de lavagem de dinheiro que utilizam empresas de fachada, instituições financeiras e operações complexas para ocultar recursos de origem criminosa. Segundo especialistas da área de segurança pública, essa mudança de foco representa um dos principais avanços no enfrentamento de facções como PCC e Comando Vermelho.

Operações expõem esquemas bilionários

Entre os exemplos mais citados está a Operação Carbono Oculto, que identificou conexões entre integrantes do PCC e o setor de combustíveis. A investigação apontou suspeitas envolvendo postos, distribuidoras e fornecedores. Já a segunda fase da ofensiva, denominada Fluxo Oculto, teve como alvo instituições de pagamento suspeitas de atuar em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.

Especialistas avaliam que essas ações atingem diretamente a capacidade financeira das organizações criminosas, reduzindo sua estrutura operacional e dificultando a movimentação de recursos.

Integração entre órgãos amplia alcance das investigações

Outro ponto destacado é o fortalecimento da cooperação entre instituições federais e estaduais. A criação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco) permitiu maior compartilhamento de informações e a realização de operações conjuntas.

A Operação Carbono Oculto reuniu órgãos como Receita Federal, Ministério Público, Secretaria da Fazenda, Agência Nacional do Petróleo e forças policiais, demonstrando uma atuação coordenada contra estruturas criminosas complexas.

Mudança de foco no combate ao tráfico

Pesquisadores também observam uma mudança na estratégia de repressão ao tráfico de drogas. Em vez de concentrar esforços apenas na prisão de pequenos traficantes, as investigações passaram a mirar rotas de abastecimento e pontos estratégicos de escoamento, incluindo portos das regiões Norte e Nordeste.

A avaliação é que o combate ao varejo do tráfico tem impacto limitado sobre o funcionamento das facções, enquanto ações voltadas à logística e ao financiamento podem gerar resultados mais efetivos.

Avanços convivem com expansão territorial das facções

Apesar dos progressos apontados pelas autoridades, especialistas alertam que o poder territorial das organizações criminosas continua avançando em diferentes regiões do país. Há registros de maior controle exercido por facções em comunidades urbanas, incluindo cobrança de taxas, restrições de circulação e enfrentamentos frequentes com forças de segurança.

Levantamento do Datafolha apontou que facções e milícias estão presentes no entorno de 19% da população brasileira, o equivalente a pelo menos 28,5 milhões de pessoas. O índice representa crescimento em relação ao ano anterior.

Lei Antifacção endurece punições

Entre as medidas recentes está a aprovação da Lei Antifacção, que ampliou penas e estabeleceu critérios para enquadrar grupos criminosos ultraviolentos. A legislação prevê punições mais severas para organizações que utilizem violência, intimidação ou controle territorial para exercer influência sobre comunidades e autoridades.

Debate sobre classificação de facções segue em aberto

A recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas reacendeu discussões sobre as formas de enfrentamento ao crime organizado. Enquanto parte dos especialistas considera que houve avanços importantes na investigação financeira e na integração institucional, outros avaliam que os resultados ainda são limitados diante da expansão territorial e da influência exercida por essas organizações em diversas regiões do país.

  • Publicado: 31/05/2026 15:11
  • Alterado: 31/05/2026 15:12
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress