Colômbia emite nota de repúdio após ofensas de Trump

O governo da Colômbia reage a declarações de Trump sobre intervenção militar e tráfico de drogas

Crédito: RS/FotosPúblicas

A Colômbia vive um dos momentos mais tensos de sua história diplomática recente com os Estados Unidos. Nesta terça-feira (6), a ministra das Relações Exteriores, Yolanda Villavicencio, anunciou a emissão de uma nota de repúdio formal contra o presidente americano Donald Trump. A medida é uma resposta direta às ofensas dirigidas ao presidente Gustavo Petro, que foi chamado por Trump de “homem doente” e acusado de fabricar cocaína para exportação.

O estopim da crise ocorreu no último domingo (4), quando Trump, ao ser questionado sobre uma possível ação militar na Colômbia, respondeu que a ideia lhe parecia “boa”. Para o governo colombiano, as declarações não ferem apenas a honra do mandatário, mas a própria soberania nacional e o processo democrático que elegeu Petro.

A defesa da Colômbia e a crítica à Doutrina Monroe

O presidente Gustavo Petro utilizou suas redes sociais para contra-atacar e contextualizar a agressividade americana sob uma ótica histórica. Em publicação no X, ele acusou Trump de tentar ressuscitar a “Doutrina Monroe”, com o objetivo de transformar as nações soberanas da Colômbia e de seus vizinhos em colônias dos Estados Unidos.

Petro foi além nas comparações, associando a política externa de Washington a ideologias que culminaram nas grandes guerras mundiais. “Isso vai completamente contra o direito internacional”, afirmou o presidente, que apelou à sociedade americana para que ajude a construir uma ordem democrática que evite um colapso na paz mundial.

Narcotráfico e a crise na Venezuela: Pontos de atrito

A ministra Villavicencio reiterou que a Colômbia mantém sua autonomia na política antidrogas e criticou a postura intervencionista dos EUA na região, citando especificamente a situação da Venezuela. Embora Bogotá não reconheça as eleições venezuelanas de 2024, a ministra defende o respeito ao sistema jurídico do país vizinho e a busca por soluções dialógicas, sem pressões externas militares.

Pontos fundamentais da crise diplomática:

  • Acusações de Narcotráfico: Trump associou Petro diretamente à produção de cocaína, o que foi rechaçado com dados pela inteligência colombiana.
  • Ameaça de Intervenção: A sugestão de uso das forças militares americanas em solo da Colômbia gerou alerta em todo o bloco sul-americano.
  • Doutrina Monroe: O governo colombiano interpreta as falas de Trump como um retrocesso ao imperialismo do século XIX.
  • Diálogo Regional: A Colômbia mantém contatos com Caracas para buscar consensos, à revelia da vontade de Washington.

O apelo internacional por estabilidade

A escalada de agressões verbais coloca em risco acordos de cooperação histórica entre os dois países. Villavicencio enfatizou que a reunião com o representante dos EUA serve para deixar claro que a Colômbia exige respeito à sua institucionalidade.

“Uma ofensa contra o presidente é uma ofensa contra o nosso país”, declarou a chanceler, reforçando que o futuro da existência humana e a segurança do continente estão em perigo diante de retóricas de guerra. O mundo agora aguarda a resposta oficial do Departamento de Estado americano à nota de repúdio enviada por Bogotá.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 06/01/2026
  • Fonte: FERVER