Collor, Temer e Lula: As polêmicas das prisões de ex-presidentes no Brasil
Entenda as diferenças entre os casos de Lula, Temer e Collor na Lava Jato
- Publicado: 26/01/2026
- Alterado: 25/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Maria Clara e JP
O cenário político brasileiro tem sido marcado por diversas controvérsias, especialmente quando se trata das prisões de ex-presidentes. Este artigo examina as distinções entre os casos de Fernando Collor, Michel Temer e Luiz Inácio Lula da Silva, que enfrentaram problemas judiciais significativos.
Na madrugada de hoje, dia 25 de abril, o ex-presidente Fernando Collor de Mello foi detido em Maceió (AL) após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, indeferir seus recursos referentes a uma condenação que o sentenciou a 8 anos e 10 meses de reclusão no âmbito da Operação Lava Jato.
Com essa prisão, Collor se torna o terceiro ex-presidente a ser encarcerado desde a redemocratização do Brasil, seguindo os passos de Michel Temer e Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto Lula foi preso em 7 de abril de 2018 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Temer enfrentou uma prisão preventiva em março de 2019 relacionada à sua atuação em um esquema envolvendo contratos da usina nuclear de Angra 3.
A defesa de Collor declarou que sua prisão ocorreu enquanto ele se dirigia a Brasília para cumprir a decisão do ministro Moraes. O ex-presidente é acusado de ter recebido R$ 29,9 milhões em propinas relacionadas à BR Distribuidora entre 2010 e 2014. Além dele, empresários também foram condenados pelo mesmo crime, envolvendo contratos irregulares com a UTC Engenharia.
Em contraste, a prisão de Michel Temer foi decretada como uma medida cautelar, fundamentada em delações que o implicaram em um esquema de corrupção durante seu mandato. Após permanecer na prisão por seis dias, Temer foi liberado por um desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
Lula, por sua vez, foi condenado em dois processos distintos relacionados à Lava Jato. Sua primeira condenação, que resultou em pena superior a 12 anos, foi baseada na acusação de ter recebido vantagens indevidas através de um apartamento no Guarujá. Em um segundo caso, ele também foi sentenciado por ter recebido benefícios associados a um sítio em Atibaia. No entanto, todas essas condenações foram anuladas pelo STF em 2021.
A situação legal dos ex-presidentes não se limita apenas a Collor, Temer e Lula. Desde a redemocratização, outros ex-presidentes como José Sarney e Dilma Rousseff também enfrentaram denúncias e investigações, embora não tenham sido presos sob as mesmas circunstâncias.
Historicamente, antes das prisões contemporâneas mencionadas, outros presidentes brasileiros também foram detidos por motivações políticas. Hermes da Fonseca e Washington Luís são exemplos de líderes que enfrentaram encarceramento devido a conflitos políticos durante seus mandatos. Artur Bernardes e Juscelino Kubitschek também experimentaram prisões associadas a questões políticas em diferentes contextos históricos.
Assim, ao analisar as prisões dos ex-presidentes brasileiros, observa-se que cada caso possui particularidades distintas em termos de justificativas legais e contextos políticos. Essas situações refletem uma complexa intersecção entre justiça e política no Brasil contemporâneo.