Collor tem prisão decretada 33 anos após impeachment por corrupção
O episódio marcou o primeiro impeachment de um presidente eleito após a ditadura militar e virou símbolo do combate à corrupção no país
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 24/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O ex-presidente Fernando Collor de Mello teve sua prisão decretada nesta quinta-feira (24), pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorre 33 anos depois de seu impeachment e decorre de uma condenação por corrupção ligada à Operação Lava Jato. Collor, que governou o Brasil entre 1990 e 1992, foi afastado do cargo após denúncias de desvios envolvendo seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, reveladas por seu próprio irmão, Pedro Collor.
O episódio marcou o primeiro impeachment de um presidente eleito após a ditadura militar e virou símbolo do combate à corrupção no país. As investigações apontaram esquemas de tráfico de influência, fraudes em contratos públicos e uso indevido de recursos na residência presidencial conhecida como Casa da Dinda, em Brasília.
De símbolo da esperança à queda em meio a escândalos
Eleito em 1989 como o “caçador de marajás” com um discurso moralizador, Collor chegou à presidência com o apoio popular, mas viu sua imagem ruir diante de denúncias e medidas econômicas impopulares. Seu plano de combate à inflação incluiu o confisco de poupanças e congelamento de preços — medidas que desestabilizaram a economia e afetaram profundamente a população e as empresas.
A deterioração da economia e as denúncias de corrupção levaram a uma onda de protestos. Os jovens conhecidos como “caras-pintadas” tornaram-se ícones da mobilização popular que tomou as ruas pedindo seu afastamento. Apesar de tentar renunciar, Collor teve o impeachment aprovado pelo Congresso em 1992 e ficou inelegível por oito anos.
A trajetória política de Collor até a condenação
Filho de uma tradicional família alagoana ligada à política, Collor iniciou a carreira pública como prefeito de Maceió e deputado federal, chegando ao governo de Alagoas em 1986. Seu apelo contra a corrupção o impulsionou ao Palácio do Planalto, mas ironicamente, seu mandato foi marcado justamente por escândalos nessa área.
Após o impeachment, Collor voltou à cena política como senador por Alagoas, cargo que ocupou até 2022. Na última eleição, tentou se eleger governador pelo PRD, sem sucesso. Com a nova condenação e a ordem de prisão, sua trajetória política enfrenta um desfecho marcado pela Justiça.