Novo colírio promete até 10 horas de alívio para a “vista cansada”
Medicação aprovada nos Estados Unidos é alternativa temporária aos óculos, mas especialistas alertam para limitações e efeitos colaterais
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 20/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Um colírio chamado Vizz, recém-aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, oferece uma alternativa ao uso de óculos para quem sofre de presbiopia, a popular “vista cansada”. Segundo a publicação do órgão, o medicamento pode proporcionar até dez horas de melhora na visão de perto.
O princípio ativo do colírio é a aceclidina, substância que atua de forma semelhante à pilocarpina, usada há mais de um século para tratar glaucoma. Ambas funcionam contraindo a pupila, o que aumenta a profundidade de foco e facilita a leitura ou uso de telas sem auxílio óptico.
Resultados de testes clínicos
O Vizz foi testado em 466 voluntários durante 42 dias, com melhora da visão já 30 minutos após a aplicação. Em outro estudo, com 217 pessoas ao longo de seis meses, não foram identificados efeitos adversos graves, reforçando a segurança do uso contínuo.
Apesar dos avanços, especialistas destacam que a eficácia do medicamento ainda precisa ser avaliada em populações diversas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1,8 bilhão de pessoas convivam com a presbiopia, tornando-se uma das principais causas de dificuldade visual no mundo.
Riscos e limitações do uso
A bula do Vizz alerta para possíveis efeitos colaterais, como visão turva, dor de cabeça, irritação ocular e até risco de descolamento de retina em pessoas mais vulneráveis. O oftalmologista Leoncio Queiroz Neto ressalta que, em casos leves, o colírio pode reduzir a necessidade dos óculos, mas não substitui a correção óptica em graus mais avançados.
“Esses medicamentos representam um marco científico, mas não oferecem ainda uma resposta definitiva para o problema global da presbiopia”, afirma o especialista, que defende cautela e mais estudos antes de considerar o colírio como solução definitiva.