Colgate suspende fabricação de creme dental após denúncias de reações alérgicas

Mais de 3 mil queixas foram registradas por consumidores; Anvisa mantém interdição sem prazo definido

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A Colgate-Palmolive decidiu suspender definitivamente a produção do creme dental Colgate Total Prevenção Ativa Clean Mint. O anúncio foi feito pela própria empresa nesta quarta-feira (25), por meio de comunicado no site oficial. A decisão vem na esteira de uma investigação conduzida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), motivada por centenas de relatos de consumidores sobre reações alérgicas ao produto.

De acordo com a Anvisa, foram registrados mais de 1.200 relatos formais de eventos adversos, além de outras 3.257 queixas no portal Reclame Aqui nos últimos seis meses. Os consumidores relataram sintomas como ardência bucal, aftas, inchaço nos lábios e dificuldade para falar ou engolir. A agência já havia determinado a suspensão da comercialização da pasta em março por um período de 90 dias. Com o novo avanço da apuração, a suspensão foi renovada por tempo indeterminado.

Mesmo com a decisão de retirada do mercado, a Colgate alega que o produto é seguro e que não foram identificados problemas de qualidade na fórmula. Segundo a empresa, casos de sensibilidade a componentes como corantes, tensoativos ou aromatizantes podem ocorrer com qualquer pasta de dentes.

Fórmula renovada da linha Total também gera reclamações

O Colgate Total Clean Mint passou por uma reformulação no último ano, assim como outras variantes da linha, como as versões Carvão Ativado, Whitening e Fresh Mint. Após o início da investigação da Anvisa, consumidores passaram a relatar problemas similares com essas novas versões.

As primeiras notificações à Anvisa surgiram em março, com oito registros envolvendo 13 casos distintos. Inicialmente, a agência suspendeu a venda dos produtos no dia 27 daquele mês. No entanto, a Colgate recorreu e obteve suspensão temporária da medida. Um dia depois, a Anvisa voltou atrás e restabeleceu a interdição, que foi válida até o fim de junho. Agora, com a continuidade dos relatos, a suspensão foi prorrogada indefinidamente.

O que fazer em caso de alergia?

Diante do volume de queixas, órgãos de defesa do consumidor orientam quem foi afetado. De acordo com o Procon-SP, consumidores que tiveram reações alérgicas comprovadas podem solicitar o reembolso de gastos médicos e odontológicos. Para isso, é necessário apresentar documentos como laudo ou declaração médica que atestem a ligação entre os sintomas e o uso do produto.

A solicitação pode ser feita diretamente no site do Procon (www.procon.sp.gov.br) ou por via judicial. Para ações que envolvam pedido de danos morais, será necessário recorrer à Justiça. Segundo o Procon, é importante guardar recibos de consulta, notas fiscais de medicamentos e qualquer outro documento que comprove o ocorrido.

O advogado Gabriel Britto Silva, diretor jurídico do Instituto Brasileiro de Cidadania (Ibraci), afirma que a empresa deve responder pelos danos causados caso não tenha fornecido informações claras e visíveis sobre o risco de reações alérgicas. “Se o consumidor não foi devidamente alertado de forma ostensiva sobre os riscos, ele tem direito à reparação”, destaca.

Os consumidores também podem contatar a Colgate diretamente pelos canais de atendimento: telefone 0800-703-7722 (segunda a sexta, das 8h às 21h, e sábados, das 8h às 12h) ou WhatsApp +55 11 97276-8642.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 26/06/2025
  • Fonte: Sorria!,