Coletivos de SP são destaque no FIT Rio Preto 2026
Com seis espetáculos de peso no FIT Rio Preto, companhias paulistanas debatem racismo, migração e crise climática no festival
- Publicado: 15/07/2026 16:56
- Alterado: 15/07/2026 16:56
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
Um dos maiores e mais tradicionais encontros de artes cênicas do Brasil, o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT Rio Preto) celebra 57 anos de história e 24 edições internacionais de 16 a 25 de julho de 2026. A programação deste ano marca o aguardado retorno da correalização entre a Prefeitura local, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e o Sesc São Paulo, reunindo 32 espetáculos de oito estados brasileiros e atrações internacionais do Chile, México e Palestina.
Neste cenário de intercâmbio e descentralização artística, as produções da capital paulista despontam como grandes destaques, levando aos palcos discussões profundas sobre identidade, memória, emergência climática e a complexa realidade urbana do país.
Abertura com Diáspora, Fé e Circo

A abertura oficial do festival ocorre nesta quinta-feira, dia 16 de julho de 2026, às 20h, no Anfiteatro Nelson Castro (Represa), com a apresentação do espetáculo gratuito “{FÉ}STA”, do Coletivo Prot{agô}nistas. A montagem de rua propõe um mosaico circense contemporâneo guiado por quatro ritos fundamentais da experiência humana: morte, nascimento, união e fé.
Articulando técnicas acrobáticas, dança e música ao vivo, a obra debruça-se sobre a memória, a ancestralidade e a resistência da população negra em diáspora, estruturando referências diretas a manifestações culturais e religiosas de matriz afro-brasileira.
Cracolândia e Racismo Estrutural em Debate
Duas importantes companhias paulistanas levam ao festival reflexões contundentes sobre territórios vulneráveis e desigualdade racial:
- Cena Ouro – Epide(r)mia (Cia. Mungunzá de Teatro): O espetáculo volta suas lentes para a região da Cracolândia, no Centro de São Paulo. Fruto de um longo processo de pesquisa de campo com moradores, transeuntes e trabalhadores do local, a montagem mistura teatro documental, performance e música para analisar a exclusão, a convivência e as políticas de controle dos corpos em espaços públicos, buscando humanizar histórias que resistem à margem;
- Pai contra Mãe ou Você está me Ouvindo? (Coletivo Negro): Com direção e dramaturgia de Jé Oliveira, a peça parte do clássico conto de Machado de Assis para traçar paralelos diretos entre as violências do período escravagista e o racismo estrutural que se perpetua no Brasil contemporâneo. O trabalho, que celebra os 18 anos de investigação do coletivo sobre a representação negra, acumulou importantes indicações aos prêmios Shell e APCA.
Bolívia e Biomas: Identidade, Luto e Clima

As outras três produções da capital paulista trazem abordagens sensíveis sobre migração e ecologia:
- Para Mariela (Grupo Sobrevento): Criado para comemorar os 40 anos de estrada da companhia, referência nacional em teatro de animação, o espetáculo foi inspirado em relatos reais de crianças imigrantes bolivianas que vivem no entorno da sede do grupo, na Zona Leste de São Paulo. A peça utiliza o teatro de objetos cotidianos e musicalidade típica para discutir os afetos, a busca por pertencimento e as memórias que viajam com as famílias na migração;
- Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco (Coletivo Os Brasis de Darcy): Primeiro capítulo de um projeto de pesquisa cênico-científico focado nos biomas nacionais, a montagem dirigida por Hercules Morais costura a pandemia, a polarização política, manifestações folclóricas (como a Folia de Reis) e as proféticas teorias do antropólogo Darcy Ribeiro para investigar o luto coletivo e a destruição ambiental que ameaça o Cerrado;
- Corpo-Árvore (Coletivo (se)cura humana): Mesclando performance, instalação urbana e recursos digitais, a intervenção narra a saga de sobreviventes que encontram a última árvore destruída do planeta e tentam reativar os “rios voadores” da atmosfera por meio de uma árvore-máquina. A montagem propõe uma dinâmica interativa para discutir o ativismo socioambiental, o racismo ecológico e a urgência climática global.
Cronograma das Produções de SP no FIT 2026
1. {FÉ}STA (Coletivo Prot{agô}nistas)
- Quando: 16 de julho, às 20h
- Onde: Anfiteatro Nelson Castro (Avenida Duque de Caxias, s/nº – Vila Ercília)
- Classificação: Livre | Duração: 75 minutos (Entrada franca)
2. Cena Ouro – Epide(r)mia (Cia. Mungunzá de Teatro)
- Quando: 17 e 18 de julho, às 19h
- Onde: Teatro Paulo Moura (Avenida Duque de Caxias, 3900 – Jardim dos Seixas)
- Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos | Duração: 90 minutos
3. Corpo-Árvore (Coletivo (se)cura humana)

- Sessão 1: 20 de julho, às 20h | Local: Complexo Swift 2 (Avenida Duque de Caxias, 3900)
- Sessão 2: 21 de julho, às 16h | Local: Favela Marte
- Sessão 3: 22 de julho, às 16h | Local: Praça Rui Barbosa (Centro)
- Classificação: Livre | Duração: 45 minutos (Todas as sessões são gratuitas)
4. Para Mariela (Grupo Sobrevento)
- Quando: 22 e 23 de julho, às 19h
- Onde: Complexo Swift (Avenida Duque de Caxias, 3900 – Vila Ercília)
- Classificação: Livre | Duração: 75 minutos
5. Pai contra Mãe ou Você está me Ouvindo? (Coletivo Negro)
- When: 23 e 24 de julho, às 21h
- Onde: Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 5381 – Vila São José)
- Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos | Duração: 80 minutos
6. Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco (Os Brasis de Darcy)
- Quando: 24 e 25 de julho, às 21h
- Onde: Ginásio do Sesc Rio Preto (Avenida Francisco das Chagas Oliveira, 1333 – Chácara Municipal)
- Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos | Duração: 80 minutos