Coletivo Quizumba estreia peça infantil gratuita em SP

O espetáculo 'ALGORIKI', do Coletivo Quizumba, aborda a relação das crianças com as telas em temporadas gratuitas na Funarte e em Santana

Crédito: Alícia Peres

O renomado Coletivo Quizumba, referência na pesquisa de teatro para infâncias e juventudes a partir de perspectivas afrocentradas e decoloniais, estreia nesta sexta-feira (17), o espetáculo “ALGORIKI – e se você saísse?”. A temporada paulistana inicia-se no Complexo Funarte SP, ocupando a Sala Renée Gumiel (Campos Elíseos) até 9 de agosto, e segue depois para o Teatro Alfredo Mesquita (Santana), onde fica em cartaz de 15 a 30 de agosto.

O Mistério do Apagão e a Descoberta da Rua

Coletivo Quizumba
Foto: Alícia Peres

Com direção de Thais Dias e dramaturgia assinada por Tadeu Renato, a trama acompanha quatro crianças que moram no mesmo edifício, mas que vivem isoladas em suas próprias telas. A rotina delas muda completamente quando um inesperado apagão elétrico interrompe a conexão com a internet e as obriga a sair, pela primeira vez, para os corredores do condomínio.

Guiados por Kossi, uma criança misteriosa que conhece caminhos invisíveis, os personagens Ayó, Ayrá e Obá iniciam uma fantástica jornada por um edifício que parece mudar de forma a cada andar. Entre escadas, memórias e desafios, o grupo se depara com um mistério ainda maior do que a falta de Wi-Fi: o desaparecimento da própria rua.

A obra não busca demonizar a tecnologia ou as redes sociais, mas sim propor uma reflexão poética sobre o equilíbrio. A narrativa questiona o que se perde quando o brincar livre, o corpo em movimento, a experiência compartilhada e o encontro presencial deixam de ocupar espaço na vida cotidiana das novas gerações.

Dramaturgia: O Encontro entre Algoritmo e Oriki

O conceito da peça nasceu de um longo estudo do coletivo sobre o itan (conto) iorubá “O Chapéu de Duas Cores”, narrativa tradicional que discute a existência de múltiplos pontos de vista e verdades relativas. Ao longo do processo de criação, a pesquisa incorporou as discussões contemporâneas sobre como as telas e os algoritmos influenciam a construção da identidade e dos afetos na juventude.

O próprio título, “ALGORIKI”, sintetiza essa fusão entre a tecnologia moderna e a tradição ancestral, unindo as palavras:

  • Algoritmo: A lógica matemática que rege e direciona as experiências no ambiente virtual;
  • Oriki: A forma poética da tradição iorubá utilizada para saudar, celebrar e valorizar identidades, origens e trajetórias.

Embora a cosmologia iorubá conduza a encenação, os orixás não são representados de forma literal no palco. Seus arquétipos servem como base para a construção psicológica dos personagens, para a musicalidade, para a expressividade corporal e para o treinamento dos atores, que incorporam elementos da capoeira angola e de danças brasileiras tradicionais.

Trilha Sonora Eletrônica e Orgânica

Coletivo Quizumba
Foto: Alícia Peres

A música desempenha papel fundamental na narrativa e é executada inteiramente ao vivo. Com direção musical de Bel Borges, a trilha sonora foi construída para evidenciar o contraste que move o espetáculo: de um lado, estão os sintetizadores, os efeitos digitais de jogos eletrônicos e as notificações características dos smartphones; do outro, instrumentos acústicos, orgânicos e canções autorais compostas por Jonathan Silva, marcando o compasso da presença e do corpo no espaço físico.

Dezoito Anos de Investigação Cênica

Fundado em 2008 por artistas e educadores formados pelo Instituto de Artes da Unesp, pela Escola Livre de Teatro de Santo André e pela SP Escola de Teatro, o Coletivo Quizumba celebra 18 anos de trajetória. O grupo consolidou sua assinatura no cenário nacional ao desenvolver espetáculos e projetos pedagógicos de forte apelo estético e político, sempre voltados para a valorização das culturas africanas e afro-brasileiras.

Entre seus trabalhos mais celebrados estão Quizumba! (2011), Oju Orum (2015), focado no feminismo negro e na história de Anastácia, e o premiado Pequena história para um tempo sem memória (2018), que conquistou três indicações ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem.

Serviço do Espetáculo

  • Atração: “ALGORIKI – e se você saísse?” (Coletivo Quizumba)
  • Entrada: 100% gratuita (retirada de ingressos 1 hora antes de cada sessão)
  • Recomendação Etária: Indicado para crianças a partir de 8 anos (aberto a todos os públicos)
  • Duração: 60 minutos

Temporada 1: Complexo Funarte SP

  • Quando: De 17 de julho a 9 de agosto de 2026 (sexta a domingo, às 16h)
  • Sessões Especiais: Dias 1 e 8 de agosto (sábados), sessões duplas às 14h e às 16h
  • Local: Sala Renée Gumiel (Complexo Funarte SP)
  • Endereço: Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo/SP

Temporada 2: Teatro Alfredo Mesquita

  • Quando: De 15 a 30 de agosto de 2026 (sábados e domingos, às 16h)
  • Local: Teatro Alfredo Mesquita
  • Endereço: Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo/SP
  • Publicado: 15/07/2026 16:34
  • Alterado: 15/07/2026 16:35
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria