COFIP ABC 10 anos: integração entre indústria, comunidades e poder público no Polo Petroquímico
Cerimônia do COFIP marca conquistas como o fortalecimento do diálogo com a população, criação de comitês e institucionalização do Polo no Grande ABC
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 05/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
O Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC (COFIP ABC) completou dez anos de atuação com uma cerimônia que reuniu autoridades, representantes de empresas e lideranças comunitárias.
Criado em 2015, o comitê tem como missão promover a integração entre as indústrias do Polo Petroquímico e as comunidades dos municípios de Mauá, Santo André e parte da Zona Leste de São Paulo.
Durante a celebração, foram destacadas ações voltadas à segurança, meio ambiente, transparência e governança. “É de muita alegria que a gente celebra esse evento de 10 anos de sinergia e integração com o trabalho do COFIP ABC na defesa e reconhecimento do valor da indústria química e petroquímica do Grande ABC”, afirmou o mestre de cerimônias do evento o jornalista Joaquim Alessi.
Segurança e emergência: simulados e planos de resposta integram moradores
Entre os principais destaques da atuação do COFIP está o investimento em segurança. Nos últimos dez anos, foram realizados cinco simulados de emergência, quatro deles com participação ativa da comunidade, incluindo evacuação de residências e plantas industriais.
“Já a segurança dentro dos muros das empresas fica por conta do PAM, Plano de Auxílio Mútuo”, destacou o COFIP. O PAM reúne atualmente 29 participantes entre empresas, órgãos públicos e entidades.
Conselho comunitário e escuta ativa impulsionam aproximação com o entorno
O trabalho do COFIP também envolveu a criação de canais formais de escuta da população, como o Conselho Comunitário Consultivo (CCC), criado em 2017. O grupo é formado por moradores dos bairros vizinhos ao polo e atua como ponte entre empresas e comunidades. “O CCC atua como um agente de comunicação entre as empresas do polo e os moradores dos bairros do entorno”, lembrou a organização.
Pesquisa realizada em parceria com a Universidade Municipal de São Caetano do Sul, em 2021, ouviu 900 moradores e resultou na criação do Plano de Comunicação e Participação (PCP), que ampliou os canais de relacionamento, como o WhatsApp informativo e a central telefônica 0800 com atendimento 24 horas.
Reconhecimento institucional: Polo do ABC conquista governança inédita
Um dos marcos recentes da trajetória do comitê foi a assinatura dos decretos municipais de Mauá e Santo André em 2022, que reconheceram oficialmente o Polo Petroquímico e instituíram o Comitê Gestor de Governança (CGG). “Foi criado o Comitê Gestor de Governança, que tem por objetivo tornar perenes temas relacionados à segurança, meio ambiente e desenvolvimento sustentável”, disse o COFIP.
Para Luiz Pazin, presidente do conselho e diretor industrial da Braskem, o reconhecimento é parte de um movimento para garantir segurança jurídica e previsibilidade ao setor.
“O nosso objetivo é claro: consolidar um modelo de governança público-privada que proteja o entorno do polo e que seja formalmente reconhecido por meio de decretos municipais, estaduais e federais”, afirmou durante a cerimônia
Segurança jurídica e agenda ambiental
A institucionalização do Polo Petroquímico do Grande ABC também foi tema da fala de Aroaldo Silva, secretário executivo do Consórcio Intermunicipal. Ele reforçou que o reconhecimento oficial do polo como território estratégico para o desenvolvimento regional vai além de um marco administrativo, trata-se de um instrumento essencial para garantir segurança jurídica e fomentar inovação.
“O reconhecimento da institucionalidade do Polo é de grande importância para a garantia jurídica das empresas que estão no Polo Petroquímico”, afirmou.
Segundo ele, mesmo após 50 anos de operação, muitas empresas ainda convivem com incertezas regulatórias. “Reconhecer institucionalmente é dar garantia para que elas possam fazer mais investimentos, trazer mais inovação e articular melhor o entorno”, completou.
Aroaldo também ligou a questão institucional à pauta ambiental. Em um ano marcado pela agenda climática, ele adiantou que o consórcio estuda sediar uma pré-COP no Grande ABC, destacando iniciativas locais de descarbonização industrial.
“Temos exemplos aqui na região, estamos dialogando com empresas e universidades para mostrar que é possível pensar numa economia com menos carbono”, explicou. A ideia é apresentar soluções regionais em um encontro preparatório para a próxima Conferência das Partes da ONU sobre o Clima (COP), ampliando a visibilidade do ABC no debate ambiental global.