Cirurgia de hérnia de Bolsonaro termina em Brasília

Procedimento autorizado pelo STF durou três horas e meia e tratou hérnia inguinal bilateral.

Crédito: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente sob custódia, foi submetido a uma intervenção cirúrgica na tarde desta quinta-feira (25). O procedimento teve como objetivo tratar uma hérnia inguinal bilateral e durou cerca de três horas e meia. A operação foi realizada após solicitação da defesa e recebeu o aval do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 23 de dezembro.

Bolsonaro encontra-se detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses em regime fechado devido à tentativa de golpe. A necessidade da cirurgia foi confirmada por perícia médica, motivando sua transferência para o Hospital DF Star na última quarta-feira (24).

Detalhes sobre a condição clínica

A hérnia inguinal bilateral caracteriza-se pela projeção de tecidos abdominais através de uma fragilidade na parede muscular, gerando um abaulamento na região. Embora muitas vezes assintomática, a condição pode provocar inchaço, dor e desconforto, especialmente durante esforços físicos ou longos períodos em pé, exigindo atenção médica.

Além da correção da hérnia, a equipe médica avaliou o quadro de soluços persistentes relatado por Bolsonaro. Como medida terapêutica, foi recomendado o bloqueio do nervo frênico. Este procedimento busca reduzir temporariamente a atividade do nervo que controla o diafragma, visando interromper as crises de soluços que não cederam aos tratamentos convencionais.

Análise de especialistas

Para compreender a complexidade do caso, o cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose detalha a anatomia da parede abdominal. Segundo o especialista, a proteção das vísceras é feita por camadas de pele, gordura, musculatura e aponeurose (uma membrana rígida). Logo abaixo, encontra-se o peritônio, responsável por facilitar a movimentação intestinal.

As hérnias surgem quando ocorrem rupturas nessas camadas, frequentemente decorrentes de traumas ou cirurgias anteriores. A formação de aderências (cicatrizes internas) pode enfraquecer a aponeurose e interferir no trânsito intestinal, forçando o intestino a buscar espaço fora da cavidade abdominal.

No quadro clínico de Bolsonaro, as múltiplas intervenções cirúrgicas prévias podem ter gerado rigidez e irregularidades na região abdominal. Isso dificulta a circulação intestinal e agrava sintomas reflexos, como os soluços, uma vez que alterações no sistema digestivo podem repercutir no diafragma.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 25/12/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show