Itaú Cultural Play lança mostra de curtas-metragens do Festival Visões Periféricas

A plataforma participa do evento com a exibição de Os modos de vida como busca estética, com 10 curtas-metragens de vários estados do país. Pelo segundo ano consecutivo, haverá a entrega do Prêmio IC Play para um curta-metragem do festival. Ainda, o catálogo recebe Engole o choro, vencedor do mesmo prêmio no ano passado

Crédito: Divulgação

A partir de 12 de março, a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita de cinema brasileiro, recebe a mostra Os modos de vida como busca estética, uma curadoria exclusiva de curtas-metragens da 18ª edição do Festival Visões Periféricas – evento destinado ao audiovisual produzido nas periferias do Brasil, que acontece presencialmente no Rio de Janeiro entre 13 e 16 de março e virtualmente em seu site em 17 e 18 de março. A mostra é assinada pelo pesquisador Wilq Vicente e pela cineasta indígena Olinda Tupinambá. Ela apresenta 10 curtas-metragens, de sete estados brasileiros, nos quais a comunidade, o afeto, o cotidiano e as referências culturais compartilhadas são os motores para o ato de filmar. Os filmes permanecem no catálogo da IC Play até 31 de março. 

Pelo segundo ano consecutivo, haverá a entrega do Prêmio Itaú Cultural Play no festival, para um dos filmes da mostra Fronteiras Imaginárias, que inclui produções de até 30 minutos (curtas e médias-metragens) feitas por realizadores independentes de todo o Brasil. O filme escolhido receberá um valor de R$ 15 mil (quinze mil reais), com licenciamento para a plataforma. Ainda, no dia 28 de março, entra no catálogo da plataforma Engole o choro (2023), curta-metragem do diretor Fabio Rodrigo, que ganhou o Prêmio no ano passado no Festival Visões Periféricas.

O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast.

Sobre a mostra

Seguindo a tendência da edição deste ano do Festival Visões Periféricas, a mostra na IC Play contém mais ficções do que documentários. Uma das seis ficções, A lenda dos cavaleiros da água (2024), de Helen Quintans, leva às telas uma história fantástica que acontece no sertão da Paraíba. Inspirado em um cordel escrito por Samuel de Monteiro, irmão da diretora, o enredo acompanha Violeta e sua filha, a jovem Margarida, moradoras de um sítio isolado pela seca, que têm suas vidas transformadas quando chegam lá três cavaleiros caçadores de nuvens. Um desses cavaleiros é vivido por Buda Lira, ator paraibano com importantes papéis no cinema nacional, em filmes como Bacurau (2019) e Aquarius (2016), ambos de Kleber Mendonça Filho. 

Outro representante paraibano é o curta-metragem experimental O sonho de Anu (2024), da multiartista Vanessa Kypá. A ideia para a produção surgiu de uma inquietação de Vanessa com o conteúdo comumente encontrado em livros didáticos, que reforçam a ideia de que o Brasil foi “descoberto” pelos portugueses. No filme, a jovem Anu, originária do continente africano, refaz os passos de seus ancestrais pelo território paraibano, questionando a história oficial do Brasil ensinada nas escolas. 

O passado colonial do país também encontra ecos em Além da cancela (2023), drama baiano da cineasta Margarete Jesus. Na década de 90, Anastácia vive com seu marido e seu filho em um sítio dentro de uma fazenda no interior da Bahia. Por lei, o sítio pertence à família, mas o dono da fazenda ignora o fato. Anastácia terá de quebrar alguns ciclos de dor e preconceito para conseguir a escritura da posse.

A atmosfera do sonho e do delírio conduz Nicobé (2024), curta-metragem de afro-surrealismo dirigido pela cineasta Jota Carmo. Enquanto ignora a febre para continuar trabalhando, o jovem Nicobé experiencia situações que estão para além do que conhecia como real. O curta-metragem paranaense Busco-me (2023), por sua vez, retrata a vida de Luisa, uma mulher que está perdendo a memória. Um dia, sentada no terminal de ônibus, ela começa a escrever suas lembranças, para não as esquecer, quando depara com seu amor da juventude. A direção é coletiva, assinada por Maria Camila Ortiz, Suelen Rodrigues, Felipe Chiaretti e Santiago Mendez.

Duas pessoas completamente diferentes, mas que têm em comum o amor pela música, encontram-se em Noite neon (2023), curta-metragem mineiro da dupla Claryssa Almeida e Pedro Estrada. Combinando ficção e realidade, a trama capta Alexandre e Sue, dois anônimos que, em meio a um cotidiano de trabalho, de outros papéis sociais e de falta de políticas públicas de cultura, encontram um escape artístico cantando à noite em bares de videoquê em Belo Horizonte.

Personagens do Brasil

A mostra Os modos de vida como busca estética ainda conta com quatro documentários, que adentram os universos particulares de outros personagens do país. Tantico, além da visão (2024) registra o cotidiano de Francisco, conhecido como Tantico, senhor cego que vive no interior do Rio Grande do Norte. Gravado na humilde casa do protagonista real, onde ele mora sozinho, o filme de Joicielisson Gomes e Ligia Xavier faz uma reflexão sobre a solidão, a resiliência e a capacidade de apreciar a vida mesmo em situações difíceis.

Os espectadores podem conhecer outra personagem anônima do interior potiguar em Pupá (2024), de Osani. No curta-metragem, Osani faz um perfil de sua mãe, Edna, que, em Acari, pequena cidade onde mora, é conhecida como Pupá. Com uma vida marcada pela ascendência indígena, ela divide sua rotina entre trabalhos domésticos e o ofício de cambista, vendendo bilhetes. Nos fins de semana, encontra nos forrós, rios e açudes o espaço onde reafirma o direito de viver sua própria autonomia.

Construindo a quarta parede (2024) conta a história de Celso Marques, um pedreiro e cineasta autodidata de Dourados, Mato Grosso do Sul. Apaixonado por cinema, Marques grava seus filmes por conta própria, usando seus amigos e familiares como personagens coadjuvantes. O filme do diretor Bruno Augusto é uma celebração à criatividade e persistência do homem. 

Em Fluxo – O filme (2023), último curta-metragem da seleção, o protagonista é Fábio, um jovem negro de Cidade Tiradentes, zona leste da cidade de São Paulo. Em um baile funk com seus amigos, ele se reconecta com seu passado, enquanto enfrenta o término de um relacionamento amoroso. A direção é de Filipe Barbosa.

Outras iniciativas

Além de receber a curadoria de filmes, a plataforma concede, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Itaú Cultural Play para um filme da mostra Fronteiras Imaginárias do festival. A entrega vai acontecer no dia 16 de março, na cerimônia de premiação da 18ª edição do Festival Visões Periféricas, no Rio de Janeiro. A produção escolhida receberá um valor de R$ 15 mil (quinze mil reais) e um licenciamento para a IC Play pelo período de dois anos, após janela de até um ano para exibição em festivais (a exclusividade para a plataforma fica em voga apenas nos seis meses iniciais do licenciamento). 

O Prêmio Itaú Cultural Play foi criado para reconhecer quem faz arte e cultura brasileiras por meio do audiovisual, promovendo narrativas autênticas, plurais e representativas sobre a identidade do país. Essa é a quarta entrega da premiação, que já laureou filmes da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e do Festival Guarnicê de Cinema, do Maranhão.  

Ainda, no dia 28 de março, a plataforma recebe em seu catálogo Engole o choro (2023), curta-metragem que ganhou o Prêmio IC Play na edição do ano passado do Festival Visões Periféricas. O filme de Fabio Rodrigo começa quando Anderson, um jovem morador da periferia de São Paulo, pega escondido a moto do pai. No meio da madrugada, ele se envolve em uma briga e acaba sendo levado a uma delegacia, até que seu pai aparece para buscá-lo. A partir de uma história corriqueira, Engole o choro traça uma leitura original da relação entre pai e filho, tangenciando questões como classe, gênero e raça. 

Sobre o Festival Visões Periféricas

É um projeto singular que amplia, por meio da exibição de filmes e laboratório de desenvolvimento de projetos, o espectro de visões sobre espaços periféricos brasileiros a partir do olhar de quem vive o seu cotidiano. O Festival Visões Periféricas foi o primeiro festival no Brasil a dedicar sua curadoria a um recorte de filmes representativos da diversidade cultural presente nas periferias brasileiras. Ele abriu caminho e se consolidou como projeto inovador de difusão audiovisual no país, desenvolvimento de projetos, formação de rede e inserção do jovem realizador de periferia no circuito nacional de festivais

SERVIÇO

  • Mostra Os modos de vida como busca estética, da 18ª edição do Festival Visões Periféricas

12 a 31 de março na Itaú Cultural Play

www.itauculturalplay.com.br

Veja as sinopses dos filmes no outro documento anexado

  • Entrega do Prêmio Itaú Cultural Play na 18ª edição do Festival Visões Periféricas

16 de março, às 19h, na cerimônia de premiação do Festival

Local: Estação Net Botafogo, sala 3, Rua Voluntários da Pátria, 88, Botafogo, Rio de Janeiro (RJ)

A entrada é gratuita, a depender da lotação da sala (100 lugares).

  • Entrada do filme Engole o choro (2023), vencedor do Prêmio Itaú Cultural Play na 17ª edição do Festival Visões Periféricas

28 de março na Itaú Cultural Play

www.itauculturalplay.com.br

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 07/03/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo