CIESP SBC debate impacto da geopolítica global na indústria

Evento promovido pelo CIESP SBC reúne lideranças da Fundação Dom Cabral e grandes empresas para analisar o novo cenário multipolar.

Crédito: Divulgação

O cenário industrial brasileiro caminha para uma transformação profunda entre 2026 e 2030, exigindo das lideranças uma visão que transcende as fronteiras nacionais. Para discutir esses desafios, o CIESP São Bernardo do Campo realizou um encontro estratégico que reuniu cerca de 90 convidados, incluindo nomes de peso como Gustavo Donato, vice-presidente da Fundação Dom Cabral (FDC), diretores do SENAI, SENAC, representantes da ENEL e o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico da cidade, Alípio Costa.

A transição para um mundo multipolar e o papel do CIESP

O ponto central da palestra, ministrada pelo professor Paulo Vicente Alves, foi a desconstrução do cenário bipolar centrado apenas em Estados Unidos e China. Segundo o especialista, vivemos agora uma dinâmica multipolar, onde múltiplos atores globais apresentam interesses assimétricos que impactam diretamente o custo de produção e a logística internacional.

Para o CIESP, entender esse redesenho estratégico norte-americano para a América Latina é vital. O movimento influencia países como Venezuela e Cuba, mas reverbera em toda a região, alterando fluxos de investimento e parcerias comerciais que afetam o chão de fábrica no Grande ABC.

Nearshoring e Reindustrialização: As oportunidades para o Brasil

Um dos conceitos mais debatidos durante o encontro do CIESP foi o nearshoring — a tendência de trazer cadeias produtivas para países mais próximos dos centros consumidores. O Brasil foi destacado como um destino com atributos relevantes para atrair novas plantas industriais, especialmente nos setores de:

  • Inteligência Artificial: Investimentos crescentes em infraestrutura de dados;
  • Energia Nuclear e Renovável: Oportunidades de matriz energética limpa e estável;
  • Tecnologia: Reorganização industrial baseada em inovação.

Entretanto, o debate promovido pelo CIESP não ignorou os entraves. Para que o cpaís se consolide como um player estratégico na América Latina, é preciso superar a complexidade tributária, os gargalos logísticos e os riscos geopolíticos que ainda afugentam parte do capital estrangeiro.

Decisões baseadas em inteligência para o ciclo 2026-2030

O diretor titular do CIESP São Bernardo, Mauro Miaguti, enfatizou que o momento atual não permite decisões lineares. “Trazer ao CIESP SBC um professor com a experiência do Paulo Vicente Alves amplia a capacidade estratégica do nosso empresariado. O cenário 2026–2030 exigirá decisões baseadas em inteligência geopolítica e capacidade de adaptação”, afirmou Miaguti.

O professor Alves também apresentou cenários eleitorais projetados para 2026, analisando como os ciclos econômicos e emocionais influenciam o apetite dos investidores. A conclusão do evento reforçou que, embora a instabilidade global seja um desafio, ela gera janelas de oportunidade para economias e indústrias que estiverem preparadas para a reindustrialização.

O debate sobre a inserção do Grande ABC nas cadeias globais encerrou a agenda do CIESP, consolidando a regional como um polo de atualização permanente para as lideranças industriais diante das transformações do século XXI.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 12/02/2026
  • Fonte: FERVER