5 cidades do ABC estão entre as que mais geram empregos em São Paulo

Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá aparecem entre as líderes na criação de empregos em São Paulo, segundo Caged e Seade

Crédito: Divulgação/Agência SP

O Grande ABC voltou a ocupar papel central no cenário econômico paulista. Segundo dados da Fundação Seade, baseados no Caged, Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema e Mauá estão entre as 50 cidades que mais criaram empregos em São Paulo em 2025. Só em julho, foram 1.071 novos postos com carteira assinada em Santo André, 1.194 em São Caetano, 385 em Diadema, 348 em São Bernardo e 250 em Mauá.

O desempenho se repete no acumulado do ano e nos últimos 12 meses, confirmando a força da região. Para o economista Lúcio Flávio Freitas, professor da USCS, esses resultados mostram como o ABC conseguiu se destacar em meio às mudanças estruturais da economia paulista.

“Se a gente pega o Estado de São Paulo, é possível dividi-lo em pelo menos três grandes regiões: a metropolitana, que inclui São Paulo e o ABC; a de Campinas, mais industrial e tecnológica; e a de Ribeirão Preto, ligada ao agro. Nessas comparações, o ABC foi muito bem. Cresceu mais do que essas regiões no ano passado e também no primeiro semestre deste ano. Dentro da própria região metropolitana, foi o melhor desempenho econômico”.

Dinâmica de crescimento dos empregos em São Paulo

O economista lembra que esse resultado não se limita ao PIB, mas transborda para a geração de renda e postos de trabalho. “No ano passado, o ABC cresceu 4,9% enquanto o Estado avançou 3,4% e a região metropolitana 4,5%. Campinas cresceu 3,2% e Ribeirão Preto 5,1%, ficando muito próximo do ABC. Esse desempenho econômico explica diretamente os índices de empregos que estamos vendo”.

Vagas de Empregos em São Paulo
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Questionado sobre os fatores que impulsionaram essa expansão, Freitas aponta os setores mais intensivos em mão de obra. “O crescimento foi concentrado, sobretudo, na construção civil, nos serviços e também no comércio. A construção civil é uma indústria, mas diferente de outras, contrata muita gente, gera muito emprego. Esse é o perfil que mais explica os saldos positivos no ABC. É típico da região metropolitana de São Paulo. O ABC já teve uma dinâmica mais ligada à indústria, mas hoje está migrando para serviços, com a construção civil ainda muito relevante”, avaliou o professor, reforçando que esse perfil explica os saldos positivos de empregos em São Paulo registrados pela Seade.

Outro ponto crucial para o professor é a geografia. “O ABC é uma região muito bem localizada, servida por grandes rodovias, perto do litoral e próxima da cidade de São Paulo, que é o centro financeiro mais importante do país. Essa infraestrutura atrai investimentos e estimula tanto os serviços como a construção civil, que acabam ocupando e adensando ainda mais a região”,

Sinais de desaceleração à frente

Apesar do saldo positivo de empregos em São Paulo, o economista alerta para riscos. “Infelizmente já há sinais de desaceleração. O PIB brasileiro cresceu 0,4% no segundo trimestre, contra 1,3% no primeiro. A indústria está estagnada. Isso vai chegar ao mercado de trabalho em algum momento, porque o mercado se ajusta mais lentamente, já que depende de contratos e da manutenção de trabalhadores qualificados. As empresas relutam em demitir de imediato, mas esse fôlego tem limite”, disse Freitas, lembrando que esses resultados ajudam a compreender o protagonismo regional na criação de empregos.

Segundo ele, esse ajuste pode não ser imediato, mas tende a ocorrer. “O crescimento recente foi sustentado sobretudo pelo consumo das famílias, favorecido pelo baixo desemprego. Serviços são intensivos em trabalho e, por isso, puxaram a economia. Mas, para o longo prazo, só isso não basta. O nível de investimento caiu, e vamos precisar reinventar a economia para recuperar o ritmo de crescimento, o que talvez só aconteça no próximo ano”, alerta.

Desigualdades internas no Grande ABC

O professor também chama atenção para disparidades regionais. “O Grande ABC tem desigualdades muito marcantes. Diferenças de infraestrutura, de renda per capita, de capacidade de gestão. Não é uma região homogênea, e isso faz com que algumas cidades apareçam nos rankings e outras não. Esses são desafios locais que precisam ser enfrentados”, observa.

Grande ABC - São Bernardo do Campo - Vagas de Empregos em São Paulo
Divulgação/PMSBC

Em seguida, Freitas reforça que o consórcio intermunicipal pode ser um caminho, embora ainda precise ganhar força para articular políticas mais consistentes. “Quando você tem iniciativas como a do consórcio intermunicipal, a ideia é justamente pensar o ABC como uma região uniforme, capaz de atuar em conjunto para gerar benefícios. Tenho minhas dúvidas sobre o alcance que essa iniciativa teve até aqui, mas ela precisa ganhar força para apontar caminhos para o futuro“, ressalta.

Transformações estratégicas

Freitas reforça que o desempenho atual dialoga com as mudanças estruturais da região. “O ABC já foi sinônimo de dinamismo industrial, mas a indústria no Brasil encolheu bastante em relação ao PIB. Outras regiões, como Campinas, passaram a atrair mais desenvolvimento industrial e tecnológico. O ABC perdeu parte dessa vocação. Ainda existe indústria relevante, que gera emprego de qualidade, mas o setor de serviços cresceu muito, acompanhado da construção civil”, , analisa, destacando que a base econômica local se reposiciona diante de um novo ciclo.

Essa transição, segundo ele, precisa ser compreendida no planejamento econômico. “Hoje temos serviços sofisticados no ABC, como os financeiros, as consultorias de engenharia, de tecnologia e de assessoria jurídica. Ao mesmo tempo, a construção civil tem puxado o lado industrial mais recentemente, porque a região continua atrativa, bem localizada e com infraestrutura. Isso tem tudo a ver com a geração de empregos em São Paulo e mostra que a região precisa refletir sobre seu papel nesse novo cenário”, completa.

Apesar dos avanços que colocam cinco cidades do ABC entre as maiores geradoras de empregos em São Paulo, o economista alerta que o futuro da região depende de enfrentar desigualdades históricas. A atração de empresas, a força dos serviços e a vitalidade da construção civil só se consolidarão se o desenvolvimento for equilibrado entre os municípios. “O ABC atrai pessoas e empresas, mas as diferenças de renda, infraestrutura e qualidade de vida entre seus municípios podem funcionar como freio. Por isso é fundamental pensar o futuro de forma integrada”, finaliza Freitas.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 22/09/2025
  • Fonte: Fever