Cidade de Santos ainda possui 363 orelhões disponíveis como paisagem urbana

Santos concentra cerca de 1,25% dos telefones públicos do estado de São Paulo, mas a maioria não é mais utilizada.

Crédito: Alexsander Ferraz/ A Tribuna Jornal

Nos últimos anos, os telefones públicos, conhecidos como orelhões, têm visto sua relevância diminuir significativamente, especialmente com a ascensão dos celulares e da internet. Em Santos, no litoral paulista, esses aparelhos ainda ocupam um lugar na paisagem urbana, mas enfrentam desafios constantes.

Atualmente, existem 363 orelhões em funcionamento na cidade. Embora espalhados por avenidas, praças e calçadas, muitos destes equipamentos estão danificados ou abandonados, refletindo um desuso crescente. A operadora Vivo, responsável pela manutenção desses telefones públicos, confirma que apesar de sua ativa presença, a utilização é praticamente inexistente.

Por que os orelhões são mantidos em Santos?

Dados da Vivo indicam que Santos abriga aproximadamente 1,25% dos 29.015 orelhões que ainda operam no estado de São Paulo. Entre abril de 2024 e abril de 2025, cada aparelho registrou uma média de apenas 0,6 crédito por mês. Além disso, mais da metade desses equipamentos não registrou nenhuma chamada nesse período.

A continuidade do serviço está atrelada a regulamentações estabelecidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No entanto, a Vivo admite que as ligações realizadas nos orelhões caíram cerca de 50% nos últimos anos. A operadora não forneceu informações sobre a manutenção desses aparelhos frente ao desgaste e vandalismo que enfrentam.

História dos orelhões em Santos

Os orelhões têm uma história que remonta à década de 1970 no Brasil. Inicialmente projetados para funcionar com fichas metálicas, esses telefones públicos evoluíram para aceitar cartões magnéticos a partir dos anos 1990. A arquitetura peculiar que caracteriza os orelhões foi idealizada pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira em 1972. Seu design ovalado e semelhante a uma concha não apenas proporciona proteção acústica em ambientes barulhentos como também se tornou um ícone da comunicação urbana brasileira.

Embora sua popularidade tenha diminuído consideravelmente, os orelhões permanecem uma parte interessante da história das telecomunicações no Brasil, simbolizando uma era em que se comunicava à distância sem a necessidade de dispositivos móveis.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 29/05/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo