Ciclone extratropical: riscos, impactos e por que preocupa
Fenômeno provoca ventos fortes, chuvas intensas e ressaca no litoral brasileiro
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 26/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O avanço de um ciclone extratropical sobre o Atlântico Sul coloca o Brasil em alerta nesta semana, com previsão de ventos intensos, chuvas volumosas e ressaca marítima em áreas costeiras e possibilidade de impactos também no interior. Embora seja um fenômeno típico da região, especialistas apontam que a proximidade com o litoral e a intensidade dos efeitos têm aumentado a atenção das autoridades e da população.
Segundo o engenheiro ambiental e professor da Estácio, Robson Costa, os ciclones extratropicais sempre fizeram parte da dinâmica climática do Cone Sul, especialmente nas proximidades da Argentina, Uruguai e do Rio Grande do Sul. O que mudou, explica, é o comportamento mais próximo da costa brasileira, impulsionado pelo contraste térmico entre massas de ar polar e tropical.
“O ciclone extratropical se forma quando há um encontro de ar frio com ar quente e úmido. Esse choque cria uma área de baixa pressão que passa a girar e a puxar umidade, funcionando como uma bomba atmosférica”, afirma.

Principais riscos para o Brasil
Os efeitos mais comuns associados ao sistema são rajadas de vento capazes de provocar quedas de árvores, destelhamentos e danos à rede elétrica, além de chuvas intensas, que elevam o risco de alagamentos e deslizamentos em áreas vulneráveis.
Outro impacto relevante é a ressaca marítima, causada pelo empilhamento de água na costa devido aos ventos persistentes. Esse cenário dificulta a navegação, acelera a erosão das praias e pode provocar avanço do mar sobre estruturas urbanas.
Em regiões metropolitanas e cidades litorâneas, a combinação entre solo encharcado e rajadas de vento aumenta o risco de quedas de postes e interrupções no fornecimento de energia, exigindo planos de contingência das defesas civis municipais.
Quando os ciclones são mais frequentes

De acordo com o especialista, os ciclones extratropicais são mais comuns no outono e no inverno, período em que as frentes frias são mais intensas e o contraste térmico com o ar quente vindo do norte se torna mais acentuado. Esse diferencial de temperatura é o combustível para a formação de sistemas mais profundos e organizados.
O monitoramento por satélite e a expansão urbana em áreas costeiras também contribuem para a maior percepção de frequência e impacto desses eventos, já que hoje há mais infraestrutura exposta e maior capacidade de acompanhamento meteorológico.
Influência das mudanças climáticas
O aquecimento da superfície do mar é apontado como um fator que pode intensificar esses sistemas. Com mais energia disponível na atmosfera, o centro de baixa pressão do ciclone tende a se aprofundar, resultando em ventos mais fortes e volumes de chuva mais elevados.
“Quanto maior a temperatura do oceano, maior a energia para o sistema se desenvolver. Isso pode tornar os ciclones mais intensos e aumentar o potencial de danos”, explica Robson Costa.
O que é o “ciclone bomba”

Um termo que costuma gerar preocupação é o chamado ciclone bomba, nome popular da ciclogênese explosiva. O fenômeno ocorre quando a pressão atmosférica no centro do sistema cai pelo menos 24 milibares em 24 horas, intensificando rapidamente os ventos e tornando o evento mais violento e súbito do que um ciclone extratropical comum.
Apesar do nome, não se trata de um fenômeno diferente, mas de uma fase de intensificação extrema do ciclone.
Alerta e prevenção
A recomendação dos órgãos de meteorologia e defesa civil é acompanhar os avisos oficiais, evitar áreas costeiras durante ressacas, reforçar estruturas vulneráveis e redobrar a atenção em regiões com histórico de alagamentos e deslizamentos.
Embora não seja um fenômeno novo, o ciclone extratropical exige monitoramento constante devido ao potencial de impactos em áreas densamente povoadas, especialmente quando ocorre próximo ao litoral brasileiro.