Como a formação técnica abre portas na cibersegurança
Com déficit de 1 milhão de talentos até 2030, setor busca técnicos qualificados para blindar dados e garantir conformidade com a LGPD.
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 26/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
A cibersegurança tornou-se a prioridade absoluta para organizações que buscam sobreviver na era digital, mas o Brasil enfrenta um “apagão” de mão de obra qualificada. Projeções da consultoria McKinsey indicam um déficit alarmante de 1 milhão de profissionais de tecnologia até 2030.
A conta matemática da formação profissional simplesmente não fecha. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom) revelam um cenário crítico: o país forma apenas 53 mil pessoas anualmente, enquanto o mercado demanda 159 mil novos talentos a cada ano.
Diante dessa carência, o curso Técnico em Informática consolida-se como a rota mais ágil para a empregabilidade. A formação oferece acesso acelerado a um setor que necessita desesperadamente de especialistas em cibersegurança para a linha de frente da proteção de dados.
Perfil profissional e governança de dados
Não basta apenas conhecimento técnico; o mercado exige postura. Cleviton Trindade, docente de Tecnologia da Informação do Senac em Contagem, destaca que as empresas buscam colaboradores com um perfil ético e responsabilidade aguçada na gestão informacional.
Para atuar na defesa de redes e sistemas, o especialista elenca as competências mais valorizadas:
- Domínio prático de redes e sistemas operacionais.
- Controle rígido de acessos e execução de backups.
- Manejo de ferramentas de segurança.
- Aplicação das boas práticas de governança da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Trindade reforça que a tecnologia, por si só, não resolve vulnerabilidades.
“O trabalho do técnico em informática é essencial para garantir segurança, cumprimento das normas e integridade dos sistemas nas organizações. Procuram profissionais […] capazes de aplicar no dia a dia as boas práticas de governança previstas na LGPD.”
Mercado de cibersegurança em expansão acelerada
A procura intensa por talentos transformou a área de riscos e privacidade digital em uma das mais promissoras do país. O mercado brasileiro de cibersegurança, estimado em US$ 3,34 bilhões em 2024, deve saltar para US$ 5,46 bilhões até 2029.
Esse crescimento exponencial amplia o campo de atuação para quem possui formação técnica. As oportunidades não se restringem apenas a grandes corporações, abrangendo funções estratégicas de suporte, governança digital e implementação de medidas preventivas de segurança.
Para os jovens que desejam ingressar na área, a recomendação é focar na prática. Investir no entendimento profundo da defesa de sistemas e desenvolver uma postura ética são os diferenciais que separam um operador comum de um especialista em cibersegurança valorizado.
O impacto da Inteligência Artificial
A evolução tecnológica trouxe a Inteligência Artificial (IA) para o centro da operação de defesa digital. Segundo Cleviton, a IA já automatiza o monitoramento de sistemas, a detecção de ameaças e a identificação de acessos suspeitos.
Contudo, isso não elimina o fator humano; pelo contrário, o torna mais estratégico. O profissional técnico passa a atuar na configuração e no suporte dessas ferramentas, garantindo que a automação torne os cuidados com riscos digitais mais eficientes.
Para quem busca uma carreira sólida e à prova de crises, o caminho é a qualificação técnica contínua. Entender os fundamentos da legislação e dominar as novas ferramentas de IA é crucial. Afinal, a integridade das empresas depende, hoje e no futuro, de profissionais preparados para os desafios complexos da cibersegurança.