Chuvas deixam 30 mortos em Juiz de Fora e Ubá, em MG

Trinta mortes são confirmadas após intensas chuvas em Minas Gerais. Juiz de Fora decreta calamidade pública após registrar recorde histórico.

Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com cenário de devastação após chuvas intensas que atingiram a zona da mata de Minas Gerais desde a última segunda-feira (23/02), tem até o momento 30 mortes confirmadas pelas autoridades e 39 desaparecidos. O volume de água superou marcas históricas, provocando soterramentos, inundações e o isolamento de comunidades inteiras em cidades como Juiz de Fora e Ubá.

Calamidade pública e volume recorde em Juiz de Fora

Juiz de Fora é o epicentro da crise, com 24 óbitos registrados e 37 pessoas ainda desaparecidas. A prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública, medida já reconhecida pelo governo federal. Segundo o Inmet, o município registrou 605,6 mm de chuvas até a tarde de terça-feira, o equivalente a três vezes e meia a média histórica para todo o mês de fevereiro.

“Juiz de Fora tem um conjunto de morros que ultrapassam 100 metros e uma rede de drenagem volumosa. Por isso há dois problemas simultâneos: o movimento de massa, com deslocamento de encostas, e o transbordamento de rios”, explica Miguel Felippe, professor de geociências da UFJF.

Impacto na infraestrutura e acolhimento social

  • Desabrigados: Mais de 3.000 pessoas estão em abrigos improvisados em 15 escolas.
  • Soterramentos: Ao menos 20 imóveis foram destruídos por deslizamentos, 12 deles apenas no bairro Parque Jardim Burnier.
  • Serviços suspensos: Aulas municipais e o trabalho presencial na prefeitura foram interrompidos para priorizar o socorro às vítimas das chuvas.

Ubá recebe decreto de luto oficial por três dias em meio às calamidades na cidade

No município de Ubá, a 111 quilômetros de Juiz de Fora, o transbordamento do rio local causou seis mortes. A precipitação atingiu 170 mm em apenas três horas e meia, destruindo três pontes e invadindo o setor comercial.

O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial de três dias e recebeu ministros do governo federal para coordenar as ações de resgate. O vice-governador, Mateus Simões, reforçou o apelo para que moradores em áreas de risco deixem suas casas imediatamente. “É absolutamente devastador pensar que temos idosos e crianças soterradas aqui”, afirmou Simões.

Risco de novos temporais e alerta da Defesa Civil

A previsão para esta quarta-feira permanece alarmante devido ao avanço de uma nova frente fria. A Defesa Civil estadual e o Cemaden alertam para “risco muito alto” de novos deslizamentos e enxurradas na Zona da Mata e no Sul de Minas. A preocupação estende-se também à Região Metropolitana de Belo Horizonte e ao Vale do Aço, onde o solo encharcado pelas chuvas anteriores aumenta a instabilidade das encostas.

A prefeita Margarida Salomão reiterou a gravidade do momento: “É uma situação extrema, que permite medidas extremas. Estamos nos desdobrando para socorrer as pessoas e salvar vidas”. O governo federal mantém equipes do Ministério do Desenvolvimento Regional e da Saúde na região para agilizar o repasse de recursos e assistência médica às vítimas das chuvas.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 25/02/2026
  • Fonte: FERVER