Choque na região central de São Paulo: ações conjuntas de Tarcísio e Nunes geram polêmica
Medidas de requalificação urbana aprovadas por Tarcísio e Ricardo transformam área simbólica da capital
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Nas últimas semanas, uma série de intervenções promovidas pelas gestões do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB) tem redesenhado o cenário de uma área central de apenas 1 km² em São Paulo.
A desocupação da comunidade do Moinho, o fechamento da cracolândia da rua dos Protestantes e a instalação de um bolsão de estacionamento sob o Minhocão são algumas das ações que marcam esse movimento de reconfiguração urbana.
As iniciativas têm como objetivo declarado recuperar o centro da capital, atraindo novos moradores e investidores. Para isso, as autoridades apostam na dispersão de usuários de drogas e no bloqueio da oferta de entorpecentes, criando condições para encaminhamento ao tratamento voluntário.
O vice-prefeito Ricardo Mello Araújo, ex-comandante da Rota, está à frente de parte dessas medidas e defende a abordagem como uma combinação entre repressão ao tráfico e assistência social.
Críticas e temores de exclusão social
Apesar da retórica oficial, especialistas e lideranças sociais alertam para os riscos de medidas que, na prática, podem provocar o deslocamento forçado de populações vulneráveis. A estratégia tem sido associada, por setores progressistas, a uma política de “higienização social” com fins de valorização imobiliária.
Para o urbanista Fernando Túlio, professor no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, o modelo adotado repete erros de outras metrópoles.
Ele destaca que a cidade suíça superou o problema do consumo aberto de drogas apenas ao investir em políticas de redução de danos e inclusão social. “São Paulo já ensaiou esse caminho, mas abandonou a política antes de colher os resultados”, afirmou.
Projetos bilionários e o futuro do centro
As ações fazem parte de um plano mais amplo de requalificação urbana. O governo estadual projeta a construção de uma esplanada administrativa no entorno do parque Princesa Isabel, com torres comerciais, lojas e um auditório, em um investimento estimado em R$ 3,9 bilhões. Simultaneamente, uma parceria público-privada prevê R$ 2,4 bilhões para moradias e infraestrutura.
Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, a ocupação do Moinho alimentava o comércio de crack na cracolândia.
Ele aponta que a operação do ano passado foi decisiva para identificar a relação entre o tráfico e a comunidade, dando início ao processo de reassentamento das cerca de 800 famílias que vivem na área.
Contudo, críticos do projeto questionam a criminalização dos moradores e denunciam a falta de diálogo. Há ainda o receio de que a dispersão dos usuários apenas transfira o problema para outros bairros, dificultando a oferta de apoio efetivo e fortalecendo redes criminosas descentralizadas, como alerta o pesquisador Pablo Almada, da USP.