Choque geracional redefine regras do trabalho nas empresas
Transformação de valores altera vínculos profissionais e obriga empresas a rever liderança, cultura interna e estratégias de retenção
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 16/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
A gestão de equipes enfrenta um desafio crescente: as diferenças geracionais no ambiente de trabalho nunca foram tão marcantes. Longe de ser apenas uma questão de atitude, um fenômeno recente — e cada vez mais comum — é a rejeição a tarefas ou desafios que não se alinhem com os valores ou o propósito de uma parcela significativa de jovens adultos e novos profissionais.
Este grupo está questionando ativamente o modelo de vida linear e predefinido que dominou gerações passadas, que valorizava a estabilidade acima de tudo. O emprego de longo prazo na mesma empresa, a compra da casa própria e o casamento como passos obrigatórios não são mais vistos como metas universais ou inquestionáveis.
A característica central dessa mudança é a busca implacável por controle e autonomia sobre as próprias escolhas de vida e de carreira.
Em um mundo crescentemente volátil e incerto, onde a estabilidade prometida às gerações anteriores já não é mais uma garantia, a recusa em seguir um roteiro pré-estabelecido pode ser interpretada como uma poderosa forma de autoproteção e empoderamento.
Em vez de simplesmente aceitar as regras do jogo corporativo, essa geração busca reescrevê-las, estabelecendo novas prioridades:
- Bem-estar pessoal
- Saúde mental
- Propósito no trabalho
- Estes elementos superam a antiga valorização da acumulação de bens ou do mero status social.
Ruptura com o modelo hierárquico tradicional

Essa evolução de mentalidade é parte natural da história humana. A máxima de que “manda quem pode e obedece quem tem juízo” é um princípio de gestão obsoleto que não se sustenta mais na sociedade moderna no trabalho.
Para as empresas, ignorar essa realidade é um erro estratégico. O engajamento de bons profissionais hoje depende intrinsecamente do alinhamento com esses novos valores.
Nova cultura organizacional e liderança flexível no trabalho
Para atrair e reter este novo talento, as empresas precisam ir além da remuneração competitiva e modernizar sua cultura. Isso exige a adoção de uma liderança mais flexível e participativa no trabalho, que abandone a microgestão em favor de objetivos claros e autonomia na execução das tarefas. É crucial investir em programas de desenvolvimento e mentoria que demonstrem um caminho de crescimento claro e contínuo, atendendo à “sede de conhecimento” da nova geração. Além disso, a flexibilidade de horário e o trabalho híbrido/remoto não são mais diferenciais, mas sim pilares essenciais que suportam o valor inegociável do equilíbrio entre vida pessoal e profissional e do bem-estar mental.
Cibele Amorim

Cibele Amorim, especialista em Saúde Mental Corporativa e Gestão de Riscos Psicossociais.