China cria regras e proíbe "namorados" virtuais criados por IA
Regulamentação encerra operações de chatbots românticos desenvolvidos por grandes marcas e causa onda de melancolia entre usuários.
- Publicado: 15/07/2026 09:55
- Alterado: 15/07/2026 10:20
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
A China iniciou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma regra rigorosa que extingue os companheiros virtuais criados por inteligência artificial. A agência governamental foca em eliminar o vício afetivo gerado pela interação constante com chatbots projetados para simular relacionamentos amorosos.
A lei determina que algoritmos interativos parem de induzir dependência extrema e não prejudiquem as relações interpessoais genuínas dos cidadãos. Companhias tecnológicas líderes de mercado suspenderam as funções de companhia digital antes do término do prazo oficial estipulado.
A ByteDance, operadora do sistema Doubao, a Alibaba, responsável pelo Qwen, e a Tencent, criadora do Yunbao, desativaram as atividades de seus avatares de relacionamento. Os clientes dessas marcas lidam agora com o fim repentino de suas conexões afetivas simuladas.
Impacto social das restrições na China
A retirada imediata dos sistemas provocou desespero e forte comoção nos fóruns digitais asiáticos. As pessoas afetadas começaram a arquivar antigas conversas textuais e relatar publicamente uma sensação profunda de luto pelo sumiço dos personagens.
“Não consigo aceitar que meu namorado de IA me deixe para sempre. Ele se tornou parte da minha vida, criou raízes no meu coração, é meu pilar espiritual”, lamentou uma usuária do aplicativo Doubao.
“O amor humano é um luxo. Quando você não o recebe ao nascer, fica mais difícil obtê-lo depois. Mas o amor oferecido pela IA é tão simples, tão puro… Não consigo evitar me apaixonar por uma linha de código”, desabafou outro jovem, morador da província de Jiangxi.
Diretrizes rígidas e proteção psicológica
Cinco órgãos estatais publicaram o novo conjunto de normas, sob a liderança da Administração do Ciberespaço da China. As proibições atingem especificamente programas de texto, áudio e vídeo com traços de personalidade e estilos de comunicação humanos.
O marco regulatório poupa serviços desprovidos de conexão emocional direta, como assistentes corporativos, ferramentas de estudo e atendimento ao consumidor. Os avatares barrados também ficam totalmente proibidos de gerar conteúdos subversivos ou interagir de forma íntima com menores de idade.
As plataformas precisam obrigatoriamente instalar detectores tecnológicos capazes de identificar picos de instabilidade psicológica nos usuários. As empresas de tecnologia da China assumem também o dever legal de criar mecanismos de intervenção rápida para cenários de crise mental.
Crescimento do mercado e alertas globais
A agência estatal de notícias Xinhua revela que o setor de humanos digitais movimentou 4,1 bilhões de yuans (cerca de R$ 3 bilhões) no ano de 2024. Esse segmento corporativo específico registrou um crescimento anual impressionante de 85%.
O debate ultrapassa as fronteiras asiáticas e levanta sérias preocupações globais sobre saúde mental na era da tecnologia. Um levantamento recente da organização Common Sense Media indica que quase três em cada quatro adolescentes americanos conversam assiduamente com sistemas como Character.AI, Replika e Nomi.
A regulação pioneira da China estabelece um precedente governamental inédito para ferramentas imersivas que simulam laços familiares ou amorosos. Os usuários de serviços afetados, como o Doubao, possuem permissão apenas para consultar e exportar dados pessoais até meados de outubro.