China bane aplicativos LGBTQIA+ das lojas de apps
Medida amplia repressão à comunidade e segue ordem da agência reguladora de internet do país asiático.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 12/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A China intensificou a supervisão sobre a comunidade LGBTQIA+, ordenando a remoção de aplicativos de relacionamento populares de plataformas digitais. A medida, que mira diretamente aplicativos LGBTQIA+ como o Blued e o Finka, representa um novo capítulo na crescente repressão sob o governo de Xi Jinping, num país onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo permanece ilegal.
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A ordem oficial do Ciberespaço
A ordem de exclusão partiu diretamente da Administração do Ciberespaço da China (CAC), o principal órgão de regulamentação da internet do país. A Apple e o Google (para Android) foram instruídos a retirar os aplicativos de suas respectivas lojas chinesas.
A Apple confirmou o cumprimento da diretriz. Um porta-voz da empresa disse à AFP: “Após uma ordem da Administração do Ciberespaço da China, removemos esses dois aplicativos apenas da loja chinesa. Respeitamos as leis dos países em que operamos.“
Apesar da remoção, foi relatado que uma versão limitada do Blued ainda permanecia disponível na App Store até a última terça-feira (11). Além disso, usuários que já possuem os aplicativos instalados relatam que eles continuam funcionando normalmente em seus dispositivos.
Um padrão de vigilância digital
Esta não é uma ação isolada. A exclusão desses aplicativos LGBTQIA+ segue um padrão de vigilância. Em 2022, o Grindr, outro serviço globalmente popular, foi igualmente banido das lojas de aplicativos na China.
O governo chinês tem apertado o cerco. Em setembro, a CAC lançou uma campanha específica contra redes sociais que, na visão oficial, disseminam uma “visão negativa da vida”, aumentando a pressão sobre conteúdos que fogem da norma estabelecida.
Ativistas criticam a remoção

Ativistas e defensores dos direitos humanos criticaram duramente a medida. O advogado Zhao Hu, conhecido por defender a comunidade, classificou a decisão como “inesperada” e “sem justificativa clara”.
Hu Zhijun, cofundador da PFLAG China, uma organização de apoio, lamentou o impacto da remoção. Ele destacou o papel vital que esses aplicativos LGBTQIA+ desempenham. Segundo ele, os aplicativos LGBTQIA+ oferecem um espaço crucial para homens gays construírem relacionamentos mais saudáveis e estáveis.
“Esses serviços deveriam ser reconhecidos como iniciativas socialmente benéficas”, afirmou Hu Zhijun. A remoção desses aplicativos LGBTQIA+ é vista como um golpe direto na capacidade da comunidade de se conectar em um ambiente onde o suporte social ainda é limitado.