CEU caiu do céu para moradora do Hawaí
Depois que o seu filho nasceu, há quase três anos, a podóloga Edilene Leandro dos Santos não tinha como sair de casa, muito menos para trabalhar. Ela teve de abandonar tudo à sua volta para cuidar do pequeno Otávio, que merecia cuidados redobrados. Com poucos dias de vida, descobriu que o bebê era portador de […]
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 21/03/2015
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Depois que o seu filho nasceu, há quase três anos, a podóloga Edilene Leandro dos Santos não tinha como sair de casa, muito menos para trabalhar. Ela teve de abandonar tudo à sua volta para cuidar do pequeno Otávio, que merecia cuidados redobrados. Com poucos dias de vida, descobriu que o bebê era portador de uma doença rara, a síndrome Cri-Du-Chat (síndrome do miado do gato). A anomalia recebe esse nome pelo fato de seu portador ter um choro semelhante ao miado agudo de um gato.
Moradora do Parque Hawaí, em São Bernardo, Edilene conseguiu ter nova expectativa de vida com a inauguração do Centro Educacional Unificado (CEU) Luiz Gushiken, em setembro do ano passado, localizado há quase um quilômetro da sua casa. Desde então, deixa o filho em período integral na unidade e agora pode trabalhar com tranquilidade.
“O CEU caiu do Céu”, brincou. No início, ter de deixá-lo foi muito difícil, angústia que acomete todas as mães quando têm de se separar das crias. No caso de Edilene, a aflição era sobrecarregada com outros sentimentos de dúvida, de desespero, de coração apertado, ao imaginar como seria sem ela por perto, já que o seu bebê é totalmente dependente de cuidados especiais. Com quase 3 anos de idade, ele apenas engatinha, não anda e nem fala. “Como ele seria recebido?” indagava.
A forma como descreve a experiência denota o caráter de mulher firme e decidida, que tem de batalhar na vida. Foi ali, em frente ao CEU Luiz Gushiken, que ela percebeu uma chance. Afinal, separada do marido, tinha de ter a própria renda e poderia contar com uma estrutura que desse conta de cuidar do filho enquanto estivesse fora. A segurança titubeou, mas hoje é imprescindível no seu dia a dia. Ainda não conseguiu um emprego formal, mas trabalha como manicure todos os dias. Após deixar o filho na creche, atende clientes em domicílio. “Quero voltar a atuar na minha profissão, mas por enquanto é o que estou conseguindo fazer, e trabalhando o dia todo consegui aumentar a minha renda”, comenta.
Aprendizado – Não foi fácil, mas ter com quem deixar o filho em período integral lhe daria tempo para poder voltar a trabalhar. “Vim conhecer a creche, me encantei com toda a estrutura, não havia nada parecido por aqui e pagar uma escola particular estava fora dos planos”, lembra. No começo ela estava apreensiva, pois o menino nunca tinha ficado em lugar algum, e Otávio chorava muito quando chegava à creche. “Mas elas (as educadoras) me tranquilizavam e diziam que se fosse necessário, me ligariam.”
Edilene acredita em uma força maior, que Deus a preparou quando o seu filho veio ao mundo. “Eu o deixava chorando, mas me fortaleci, não sou melosa, não acho que criança não tenha que chorar”, disse. Reconhece que tinha e tem muito medo, como qualquer mãe. “Mas aqui ele fica bem e eu, feliz”, conta.
A forma como é recebido na creche foi fundamental para a mãe sentir segurança. “Ele é tratado como as outras crianças, tem boa alimentação e se integra com os amiguinhos.”
ESTRUTURA – O CEU Luiz Gushiken, inaugurado em setembro de 2014 no Parque Hawaí, soma o sexto equipamento do gênero entregue pela Prefeitura. Atende cerca de 600 alunos, de zero a 6 anos. Oferece vagas em tempo integral para a faixa etária de zero a 3 anos. São 7,4 mil metros quadrados de área construída, com 24 salas de aula, biblioteca completa, ateliê de artes, pátios coberto e descoberto, playground, berçários com solários, lactários e refeitórios. Toda a escola também está adaptada e é acessível às pessoas com deficiência. O novo equipamento conta com mais de 60 educadores, incluindo auxiliares.
A coordenadora Isabel Cristina de Matos disse que, além de Otávio, a creche atende outras três crianças com deficiência. “Trabalhamos a inclusão em todos os seus aspectos, e notamos que elas (as crianças) avançam no desenvolvimento”, acrescenta. De acordo com a coordenadora, as educadoras passaram por treinamento, são preparadas para o acolhimento e dão atenção para que todos se adaptem.