Após cessar-fogo, Irã volta a atacar Israel com mísseis

Primeiro lançamento de mísseis iranianos desde o cessar-fogo de abril ocorre após ação israelense contra o Hezbollah no Líbano e aumenta incertezas sobre negociações mediadas pelos Estados Unidos

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O Irã lançou neste domingo (7) seu primeiro ataque com mísseis contra Israel desde o cessar-fogo firmado em 7 de abril entre Teerã, Tel Aviv e Washington. A ofensiva ocorreu após uma operação israelense contra posições do Hezbollah em um subúrbio de Beirute, no Líbano, também considerada a primeira violação significativa da trégua por parte de Israel.

Segundo autoridades israelenses, ao menos 11 mísseis foram disparados contra alvos militares no norte do país. As Forças de Defesa de Israel afirmaram que todos os projéteis rastreados foram interceptados e que não houve registro de danos ou vítimas.

A Guarda Revolucionária iraniana informou que o alvo da operação foi a base aérea de Ramat David, uma das principais instalações militares israelenses na região.

Estados Unidos tentam conter escalada militar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu moderação após o ataque. Em entrevista à imprensa americana, ele afirmou que conversou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para evitar uma resposta militar imediata.

Trump declarou que as negociações entre Washington e Teerã avançavam nos últimos dias e defendeu a retomada do diálogo. Apesar das declarações, não há confirmação oficial de que um acordo estivesse próximo de ser concluído.

A liderança israelense reuniu sua cúpula de segurança para avaliar os próximos passos, mas até o momento não divulgou eventuais medidas de retaliação.

Hezbollah e Líbano voltam ao centro da crise

A nova tensão teve origem em ataques israelenses contra a região de Dahiyeh, ao sul de Beirute, área considerada um dos principais redutos do Hezbollah. Israel justificou a ação como resposta a disparos de foguetes contra o norte de seu território.

Mesmo após o cessar-fogo de abril, confrontos esporádicos continuaram ocorrendo na fronteira entre Israel e Líbano. Autoridades israelenses afirmam que milhares de projéteis foram lançados por grupos armados desde a entrada em vigor da trégua.

Além disso, as forças israelenses mantêm operações militares no sul libanês, ampliando sua presença para além da região tradicionalmente usada como zona de separação entre os dois lados.

Negociações enfrentam impasse estratégico

A retomada dos ataques acontece em meio a negociações para estabilizar a região. Um dos principais pontos de discussão envolve a reabertura do Estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás natural.

O corredor marítimo ganhou relevância ainda maior após o conflito, tornando-se uma importante ferramenta de pressão diplomática para o governo iraniano.

As conversas também buscam avançar em temas mais amplos, como o programa nuclear do Irã e as garantias de segurança exigidas por Israel e seus aliados.

Guerra em Gaza segue provocando mortes

Enquanto as tensões aumentam entre Irã e Israel, a Faixa de Gaza continua sendo palco de confrontos. Neste domingo, ataques israelenses deixaram pelo menos nove mortos e cerca de 20 feridos, segundo profissionais de saúde palestinos.

Os bombardeios atingiram áreas da cidade de Khan Yunis e da Cidade de Gaza. As Forças de Defesa de Israel não comentaram oficialmente os episódios.

Exército israelense investiga morte de bebê palestino

Também neste domingo, o Exército israelense anunciou a abertura de uma investigação criminal sobre a morte de um bebê palestino de sete meses na Cisjordânia ocupada.

A criança morreu após disparos efetuados por um soldado israelense contra o veículo da família. Inicialmente, os militares afirmaram que acreditavam estar diante de uma ameaça, mas a versão apresentada pelo pai da vítima contesta essa interpretação.

O caso amplia a pressão internacional sobre as operações militares israelenses em territórios palestinos e adiciona mais um elemento de tensão a um cenário regional já marcado pela instabilidade.

  • Publicado: 07/06/2026 21:00
  • Alterado: 07/06/2026 21:00
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress