Cerveja: (Re)descobrindo sabores
A cerveja, velha conhecida, muito admirada por grande parte dos apreciadores de bebidas alcoólicas, vem sendo redescoberta nos últimos anos. No Brasil, aquela que até muito pouco tempo atrás era apenas a “Loira gelada”, vem aparecendo cada vez mais frequentemente em outras cores, aromas e, principalmente, sabores. Alguns comparam o atual momento que passamos com […]
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 22/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A cerveja, velha conhecida, muito admirada por grande parte dos apreciadores de bebidas alcoólicas, vem sendo redescoberta nos últimos anos. No Brasil, aquela que até muito pouco tempo atrás era apenas a “Loira gelada”, vem aparecendo cada vez mais frequentemente em outras cores, aromas e, principalmente, sabores. Alguns comparam o atual momento que passamos com os Estados Unidos nos anos 70, quando houve um aumento considerável na quantidade de micro cervejarias, que trouxeram à tona muitos estilos até então “abandonados”. Fato é que hoje a oferta de cervejas no Brasil é muito mais diversa do que, digamos, há cinco anos. Temos opções que vão muito além das Standard Lagers, conhecidas popularmente (e equivocadamente) como pilsens. Com tanta variedade à disposição, já é possível deduzir que o nome “cerveja” vai muito além do que imaginávamos antes de descobrir a infinidade de sabores proporcionados pelos mais de cento e vinte estilos de cerveja existentes.
Esta coluna se propõe a refletir, de modo geral, sobre a cerveja, suas diferentes escolas, estilos, tradições e mostrar que a boa cerveja está, sim, ao alcance de todos. E para isso, começamos hoje falando sobre a história da cerveja. Você sabia que a cerveja, muito provavelmente, foi descoberta por acaso? A data não é muito precisa, mas ficaremos com a versão de Garret Oliver, reconhecido estudioso e mestre cervejeiro da Cervejaria Broolkyn (NY). Oliver afirma, em seu livro The BrewMaster´s Table, que esta feliz descoberta se deu há mais de 10 mil anos, em algum lugar na África. Cereais previamente umedecidos (ou seja, acidentalmente germinados), foram utilizados para fazer uma espécie de mingau que, ao ser aquecido, ficou doce, por conta de reações enzimáticas. Ao deixar de lado estes cereais por alguns dias, leveduras selvagens começaram a agir, fermentando o liquido e transformando-o em um tipo rudimentar de cerveja. De lá pra cá, muita coisa mudou, adicionou-se o lúpulo, identificou-se que a “mágica” da transformação era feita pela levedura, mas a essência da cerveja continua essa: um fermentado de grãos.
Em diversos aspectos, a cerveja pode ser considerada como vital em diversos momentos da história. Você sabia, por exemplo, que a cerveja era parte fundamental da alimentação e serviu, também, como pagamento dos trabalhadores que construíram as pirâmides, no antigo Egito? Alguns estudiosos contemporâneos, como o biólogo alemão Josef H. Reichholf, vão além e afirmam que a cerveja foi vital no desenvolvimento dos primeiros povos agricultores, pois estes deixaram de ser nômades para…produzir grãos destinados a cerveja!
Essas e muitas outras curiosidades permeiam a historia da cerveja e, se esse assunto te interessa, você TEM que assistir o documentário “Como a cerveja salvou o mundo”, disponível com legendas em português clicando em ASSISTIR VÍDEO no alto da página.
Para finalizar esta primeira coluna, deixo aqui uma pequena reflexão e um desafio. Dissemos no início deste texto que existem mais de cento e vinte estilos de cerveja. De quantos você consegue se lembrar? Dois? Cinco? Dez? Então fica aqui o desafio: procure o supermercado, empório ou bar especializado mais próximo e procure experimentar algum estilo completamente desconhecido para você. Deixe-se surpreender e nos vemos em breve por aqui.
Daniel Cobucci é homebrewer e dá aulas de produção de cerveja artesanal.