Certidão de óbito de Zuzu Angel, morta pela ditadura, é retificada

Foram entregues 21 certidões de óbito retificadas a familiares de mortos e desaparecidos da ditadura

Crédito: William Dias/ALMG

Nesta quinta-feira, 28 de setembro, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, promoveu uma cerimônia significativa em que foram entregues 21 certidões de óbito retificadas a familiares de pessoas que perderam suas vidas ou desapareceram durante o regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985.

Entre os documentos apresentados, destaca-se a certidão da renomada estilista Zuzu Angel, cuja carreira brilhou ao adornar ícones de Hollywood com suas criações. Zuzu ficou marcada na história por sua coragem em confrontar as autoridades após a morte do filho, Stuart Angel, que foi torturado. A retificação das certidões é fruto da Resolução nº 601, de 2024, emitida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina que as mortes relacionadas ao período ditatorial sejam catalogadas como não naturais, violentas e resultantes da ação do Estado.

Esses novos documentos trazem informações detalhadas sobre a idade e o estado civil das vítimas, além de dados sobre a data e o local do falecimento. O caso de Zuzu é emblemático: ela faleceu em 1976 em circunstâncias questionáveis, supostamente devido a um acidente automobilístico no antigo túnel Dois Irmãos, atualmente nomeado em sua homenagem. Em 1988, a Comissão Especial reconheceu oficialmente que a morte dela estava ligada à atuação do regime militar.

Além da estilista, outras vítimas também tiveram suas certidões entregues durante a cerimônia, incluindo Adriano Fonseca Filho, Antônio Carlos Bicalho Lana e João Batista Franco Drumond, entre outros. O Ministério dos Direitos Humanos projeta que até o final deste ano serão entregues um total de 400 documentos desse tipo.

A cerimônia ocorreu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e teve como foco principal as famílias de mineiros que sofreram perdas irreparáveis durante o período da ditadura. Iara de Figueiredo compartilhou uma lembrança dolorosa sobre seu pai, Raimundo Gonçalves de Figueiredo: “Eu tinha dois anos e meio quando ele foi assassinado aos 33 anos”. Ele era bancário e ativo na organização VAR-Palmares.

A secretária-executiva do ministério, Janine Mello, ressaltou a importância do evento ao afirmar que se trata do reconhecimento da verdade histórica acerca das causas das mortes dessas pessoas. A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, participou remotamente e fez um apelo à memória histórica do Brasil: “É fundamental reconhecer as profundas sequelas deixadas por períodos sombrios, desde a escravidão até a ditadura”, enfatizou Evaristo. “Devemos nomear o óbvio para evitar que essas tragédias se repitam no futuro.”

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 29/08/2025
  • Fonte: FERVER