Cerimônia em Auschwitz: Sobreviventes alertam sobre antissemitismo e autoritarismo
Cerimônia em Auschwitz: Líderes e sobreviventes clamam por memória e luta contra o antissemitismo 80 anos após a libertação do campo.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 27/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
No dia 27 de janeiro de 2025, em um momento marcante que assinala oito décadas desde a libertação do campo de concentração de Auschwitz, sobreviventes e líderes globais se reuniram para recordar os horrores do Holocausto e reiterar a importância de manter viva a memória deste evento trágico. A cerimônia ocorreu em frente à estrutura que simboliza o extermínio sistemático de milhões de judeus, transformado pelo regime nazista em uma operação brutal.
A mensagem predominante no evento foi um apelo à consciência coletiva sobre o crescente antissemitismo e a naturalização do autoritarismo nas narrativas políticas contemporâneas. O discurso de Marian Turski, um dos primeiros sobreviventes a se pronunciar, foi particularmente contundente. Ele advertiu sobre o aumento alarmante do antissemitismo ao redor do mundo, destacando que este fenômeno foi uma das principais causas do Holocausto. “É essencial não ceder ao medo e enfrentar as teorias conspiratórias que erroneamente apontam os judeus como responsáveis pelos males da sociedade”, afirmou Turski.
O evento contou com a presença de diversas figuras proeminentes, incluindo líderes como o rei Charles III, Emmanuel Macron, Olaf Scholz e Volodimir Zelenski. Este último foi recebido com aplausos calorosos ao acender uma vela em homenagem às vítimas do Holocausto, que totalizam cerca de 1,1 milhão apenas em Auschwitz e Birkenau, sendo a maioria judeus. No total, mais de seis milhões de vidas foram ceifadas pelo regime nazista.
Embora políticos não tenham tido voz durante a cerimônia, os sobreviventes se manifestaram sobre as questões atuais. Tova Friedman, que tinha apenas seis anos quando as tropas soviéticas libertaram Auschwitz, expressou preocupação com os valores universais que estão sendo ofuscados por preconceitos e extremismos na atualidade. “As memórias daquela época foram mantidas vivas por minha mãe, e é crucial que as novas gerações também façam isso”, afirmou.
Leon Weintraub, também sobrevivente do Holocausto e agora com 99 anos, enfatizou a necessidade de os jovens estarem atentos a qualquer forma de intolerância. Ele lembrou sua própria migração da Polônia para a Suécia nos anos 1960 devido à opressão soviética e alertou sobre o ressurgimento de movimentos nacionalistas de extrema direita na Europa, incluindo sua terra natal.
Ronald Lauder, presidente do Congresso Mundial Judaico, fez um paralelo entre os recentes eventos violentos em Israel e o legado do antissemitismo presente em Auschwitz. “Hoje testemunhamos manifestações hostis contra judeus nas redes sociais. É vital lembrar que não estamos revivendo os anos 30 ou 40; estamos em 2025”, destacou Lauder.
A representação israelense na cerimônia ficou a cargo do ministro da Educação Yoav Kisch. Embora o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu não tenha comparecido oficialmente devido às controvérsias envolvendo sua administração e acusações internacionais, sua presença foi sentida nas discussões sobre política e memória histórica.
Piotr Cywiński, diretor do Museu Auschwitz-Birkenau, encerrou a cerimônia com uma poderosa reflexão: “A memória é dolorosa, mas também fundamental para orientar nosso futuro. Sem memória, não há história; sem história, corremos o risco de repetir os erros do passado”.