Cerca de 66% dos trabalhadores no Brasil já pensaram em abandonar seus empregos

Insatisfação com salários e falta de crescimento são principais motivos

Crédito: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

Novo levantamento indica que uma expressiva parcela da população trabalhadora brasileira tem manifestado a intenção de deixar seus empregos. De acordo com dados coletados em 2024, nove entre dez brasileiros reconhecem ter considerado essa possibilidade em algum momento.

Uma pesquisa realizada pela Flash em colaboração com a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) e o Talenses Group revela que aproximadamente 66% dos trabalhadores brasileiros já pensaram em pedir demissão, sendo que 16% destes contemplam essa opção com frequência. Esses números refletem uma crescente insatisfação com questões como estagnação profissional e baixa remuneração.

O estudo destaca um grupo preocupante de profissionais conhecidos como “desengajados ativos”, que se sentem completamente desconectados dos objetivos organizacionais. Nesse segmento, alarmantes 93% já cogitaram pedir demissão, com 51% afirmando que fazem isso regularmente. Em contrapartida, apenas 10% dos trabalhadores engajados manifestam essa intenção com a mesma frequência.

As razões por trás desse descontentamento são claras. Entre os desengajados, os principais fatores que levam à frustração incluem salários insuficientes (16%) e falta de oportunidades para crescimento e desenvolvimento profissional (13%). Questões relacionadas a remuneração adequada, bônus e benefícios financeiros estão entre as mais criticadas pelos profissionais, o que também alimenta a tendência do chamado “quiet quitting”, onde os empregados se limitam a realizar apenas as tarefas mínimas requeridas.

Os dados do estudo da FGV, que contou com a participação de 2.736 trabalhadores brasileiros representativos da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), corroboram as informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego em agosto de 2024 sobre os motivos das demissões voluntárias. No primeiro semestre do ano passado, 4,3 milhões de brasileiros optaram por deixar seus empregos, e uma pesquisa indicou que entre aqueles que se demitiram entre novembro de 2023 e abril de 2024:

  • 36,5% já tinham outra oportunidade em vista;
  • 32,5% citavam baixos salários como motivação;
  • 24,7% mencionaram falta de reconhecimento no trabalho;
  • 24,5% apontaram problemas éticos nas práticas da empresa;
  • 16,2% relataram dificuldades com superiores;
  • 15,7% destacaram a ausência de flexibilidade na jornada.

Com um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico, um estudo da plataforma Onlinecurriculo aponta um aumento de 173% nas buscas pelo termo “demissão” no Google entre março de 2024 e março de 2025. Essa tendência sugere que as pessoas estão mais curiosas sobre os procedimentos e consequências relacionadas ao desligamento voluntário.

Nos últimos 12 meses, foram registradas 819.200 buscas sobre demissão na plataforma. As perguntas variam desde questões burocráticas até preocupações financeiras pós-desligamento. A maioria dos internautas busca informações sobre como calcular verbas rescisórias e acesso ao seguro-desemprego, refletindo uma preocupação significativa sobre a estabilidade financeira após a saída do emprego.

Adicionalmente, muitos trabalhadores se questionam sobre o processo correto para formalizar sua demissão. As consultas relacionadas aos trâmites legais somaram 224.360 buscas, indicando um desejo de compreender plenamente o processo antes da decisão final.

Especialistas alertam para a importância do timing na decisão de pedir demissão. Segundo advogados trabalhistas consultados pela reportagem, optar por solicitar a saída após o dia 15 do mês pode influenciar nos valores recebidos na rescisão contratual.

Em resumo, o cenário atual revela uma crescente insatisfação entre os trabalhadores brasileiros, refletindo tanto desafios financeiros quanto limitações nas oportunidades de crescimento dentro das organizações.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 15/05/2025
  • Fonte: PMSA